Depois de Belle and Sebastian na noite anterior, a promotora House of Fun fez dose dupla de concertos pela Aula Magna, desta feita para acolher o aguardado regresso dos The Divine Comedy. Mais que um concerto, a noite do dia 7 seria especial, ou não se celebrasse o 49º aniversário de Neil Hannon, único membro resistente da formação original da banda.

A juntar-se a um aniversário, onde houve direito a chapéus e balões, houve o principal propósito do dito regresso: Office Politics, disco editado a meio deste ano e que leva a banda a explorar territórios electrónicos, uma confessa reflecção sobre o lado mais negro deste mundo cada vez mais tecnológico.

Entre um cenário praticamente fotocopiado de um escritório, salvando-se os postes de iluminação LED que mais tarde se mostrariam sincronizados ao som do (vasto) alinhamento da noite, os The Divine Comedy, cheios de ginga com os seus óculos de sol a condizer, começam cedo a deixar a sala eletrizada ao som de “Europop”. Logo de seguida, e aproveitando a passagem sem interrupções para “To Die a Virgin”, Hannon saúda a plateia para deixar claro que a noite seria de festa; “it’s my birthday!”, revelou em estado de quase êxtase.

Com o período de celebrações já tratado, isto após uma sala inteira, praticamente esgotada, ter cantado os parabéns a Hannon, a coisa abrandou o ritmo com “Commuter Love”, que viria a anteceder a apaixonante “Norman and Norma”, uma das faixas mais relaxantes e outsiders do registo de Office Politics, disco que viria a ser rapidamente revisitado com a experimental “The Synthesiser Service Centre Super Summer Sale”.

O registo variado do alinhamento que se ouvia na Aula Magna provava a versatilidade das canções dos The Divine Comedy, porém sentia-se a falta de uma ou outra canção capaz de unir todo o público e puxar pelo seu desejo de dançar e celebrar com Hannon e companhia. E para todos esses, houve o belíssimo trio de “At the Indie Disco”, “I Like” e “National Express”, estas duas ligadas sem interrupções, levando todo o auditório a deixar o conforto dos assentos e dançando ao som de algumas das mais celebradas canções do grupo britânico.

Terminada a fase de contentamento a puxar para uma histeria saudável, o ritmo abrandou para se entrar na fase mais emotiva da noite através de “A Lady of Certain Age” e “Absent Friends”, cabendo a “When the Working Day is Gone” fechar as portas ao escritório. Não foi preciso esperar muito para que novas se abrissem, seguindo-se um encore todo ele em formato acústico, em jeito de meia-lua, para nos deliciarmos com as comoventes “Songs of Love” ou “Your Daddy’s Car”.

Um concerto de The Divine Comedy é sempre uma ocasião para celebrações e festejos, e com um aniversário à mistura, este último não foi exceção. Definitivamente, não foi mais um mero dia no escritório.

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