Não há ninguém que faça aquilo que os Throes + The Shine fazem: a premissa de fundir rock a kuduro – chamam-no de ‘rockuduro’ – nunca antes tinha sido equacionada, mas basta ouvir meia dúzia de músicas destes tipos para se perceber como era um casamento destinado a acontecer.

De 2012 a 2019, os Throes + The Shine já contam com quatro discos na bagagem, assim como um prestígio que vai para além fronteiras. Na passada quinta-feira, Enza, o número quatro da saga, foi apresentado no B.Leza Clube, ocasião que contou com uma sala bem composta e sedenta por se contaminar pelo ritmo festivo deste trio.

© Luis Macedo

Havia grande curiosidade em assistir à transição de Enza para palcos, visto que a componente mais ‘rock’ no núcleo dos Throes + The Shine dissipou-se de forma a dar lugar a contornos mais electrónicos, quase a roçar o afro house. Fruto de tal, nunca antes a banda oriunda do Porto esteve tão ligada às pistas de dança.

Foi assim no B.Leza Clube: dançou-se e festejou-se. Depois da ‘perda’ de Diron, que se aventura agora em nome próprio, coube a Mob tornar-se no mestre-de-cerimónias. Ainda nem “ADN”, tema de arranque, tinha terminado e o vocalista já fazia o público bater o pé com a sua energia contagiante. De seguida, a tempestade “Tá a Bater”, a par de toda a ginástica que acontece em palco, arromba as portas do B.Leza Clube de forma a instaurar-se ali um intenso clima de dança, daqueles que não teimam em acalmar nem por nada.

Chamem os bombeiros porque isto vai pegar fogo

Este verso de “Guererros” – fez parte de uma campanha publicitária do McDonalds – resume na perfeição qualquer concerto de Throes + The Shine, em que a máquina imperial de Marco Castro (guitarra e teclados) e Igor Domingues (bateria) combina na perfeição com a postura irreverente de Mob para assinar uma festa de ‘F’ grande.

© Luis Macedo

Para a ocasião, quiçá numa de cimentar (ainda mais) este estatuto, a noite contou ainda com um ilustre leque de convidados, como Milke El Nite, Cachupa Psicadélica e até Da Chick.

A sala não esteve perto de transbordar, algo que acabaria por ser benéfico, havendo assim muito mais espaço para que o público se deixasse contagiar e dançar livremente. Por outro lado, a diversão e animação característica de um concerto de Throes + The Shine não deixou de faltar. Mas disso nem esperávamos que fosse de outro modo.

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