E heis que, 3 anos depois de terem tocado no Teatro Trindade, os Blind Zero regressaram à capital no dia 8 de Novembro para apresentar Often Trees no Capitólio.

O concerto esperado era acústico, com cadeiras em cima do palco e tudo, mas quem conhece os Blind Zero sabe bem que o acústico deles é apenas pseudo-acústico, onde se tira uma das duas guitarras eléctricas. Com o Capitólio não totalmente cheio mas com uma quantidade agradável de pessoas, o concerto iniciou-se com a famosa “Snow Girl” num formato mais despido e calmo. Em algumas músicas como “Recognize” ou “Big Brother“, os arranjos feitos já nos eram conhecidos devido ao CD acústico Time Machine, mas para contrastar com isso, “Tree” sofreu um novo arranjo, e “Fun House“, de Luna Park, apareceu-nos inesperadamente com uma delicadeza dada apenas com voz, guitarra e teclado.

O concerto, no fundo, consistiu numa troca constante e muito bem feita de ambientes. Desde o início, em que parecia que estávamos numa sala de estar, numa atmosfera calma com luzinhas a cair para cima do palco, até “Queen: Someone” que deixou oficialmente Miguel Guedes no seu estado de pura loucura, e o fez levantar-se da cadeira onde se esteve contorcer de emoção desde a primeira música. A verdade é que Often Trees é um disco mais denso e escuro, e explora o rock de uma forma que ainda nenhum dos discos anteriores tinha feito. E por toda a carga dramática que carrega em si, mesmo em versões menos elétricas, as músicas continuaram a ser tão ou mais intensas do que no CD. E essa intensidade foi visível, especialmente quando Bruno Macedo, a meio de uma música, sem querer ficou com a alavanca, que supostamente está presa à sua guitarra, na mão.

O novo álbum, que resultou muito bem ao vivo, foi apresentado na íntegra, e o público, para mostrar o seu entusiasmo não só para com este mas para com o concerto no geral, ia batendo palmas durante as músicas, de tal forma que me meteu a pensar “o que é que se passa hoje que o público não pára de bater palmas?“. E após um bocado percebi que isso provavelmente estava ligado ao facto de haverem cadeiras, e que pelo público estar sentado, não se conseguia expressar tanto corporalmente como possivelmente queria, sendo as palmas o seu modo de drenagem.

As músicas pareciam passar rapidamente mas apenas por estarem a saber bem porque, na verdade, o concerto durou cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos. Contudo, feitas as contas, penso que todos os presentes podem afirmar que o balanço da noite foi bastante positivo. E quando em frente ao público para agradecer, as caras de Miguel Guedes (voz), Nuxo Espinheira (baixo, e sintetizador), Vasco Espinheira (guitarra acústica), Bruno Macedo (guitarra elétrica), Pedro Guedes (bateria) e Sérgio Alves (teclado) revelaram felicidade, satisfação e quem sabe, a esperança de não demorarem novamente 3 anos até voltarem a Lisboa.

 

Fotografia – Ana Pereira
Texto – Luisa Pereira

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