A canadiana Julie Doiron anda em digressão pela Península Ibérica ao longo destes meses de outubro e de novembro. Em Portugal, calharam duas atuações, uma delas ocorreu este sábado, dia 27 de outubro, no Sabotage Club.

Julie Doiron já há muito tempo que anda pelo mundo da música. Tudo começou nos anos 90 do século passado, enquanto baixista da banda indie rock Eric’s Trip. Em 1996 a banda acabou e nessa mesma altura lançou-se numa carreira a solo, que já conta com um número considerável de álbuns lançados e inúmeras colaborações com outros músicos. A sua carreira também tem sido marcada pelo uso de diferentes línguas para se expressar, maioritariamente em inglês, mas também em francês e em espanhol, e no caso desta última talvez a edição recente de Julie Doiron Canta en Español Vol. 3 seja a justificação desta tour ibérica, que bem vistas as coisas tem grande parte dos seus concertos em Espanha.

Passava pouco das onze da noite quando Julie Doiron e a sua banda, formada por três músicos (um guitarrista, um baixista e um baterista), subiram ao palco do Sabotage Club para darem início ao espetáculo. Nessa altura a sala estava pouco composta, digamos que a canadiana não é propriamente popular por terras portuguesas e para além disso a chuva que caía em Lisboa também não ajudava, apesar de a certa altura talvez tenha sido ela a justificar a entrada de alguns turistas na sala, mas já lá vamos.

Julie Doiron pode não ser muito popular por cá, mas não deixa de ser por isso uma senhora com uma extraordinária voz e uma excelente intérprete, para além de conseguir sair-se bastante bem em registos musicais bem distintos. A sua voz tanto brilha nos temas mais rock e poderosos, como também nos mais intimistas e contidos. Só nos pareceu é que nos temas em francês e em espanhol, principalmente neste último, não estivesse tão à vontade. Em termos de sonoridades ouvidas durante o concerto, destacou-se o uso de slide guitar por parte do guitarrista Xisco Rojo, que fazia com que a música de Julie Doiron se elevasse a um nível superior. A banda, sem ser extraordinária, nunca comprometeu e, acima de tudo, facilmente se constatava que vieram a Lisboa pelo puro prazer de tocar e não por um puro cumprimento de calendário. Os quatro mostraram-se sempre altamente envolvidos e a vibrar genuinamente com o que estavam a fazer e a mostrar aos presentes, que durante a atuação foram aumentando em número, no entanto, e como se referiu atrás, pareceu-nos que a dada altura um grupo de turistas tenha ali entrado talvez mais para se abrigar da chuva que caia em Lisboa. De realçar pela negativa o constante ruído oriundo da esteira da tarola da bateria, que para além de incomodativo, contrastava com a excelente qualidade de som que o Sabotage Club nos costuma oferecer.

 

A canadiana mostrou-se, durante a cerca de hora e meia de espetáculo, bastante comunicativa (às vezes talvez um pouco em demasia e por isso a cortar o ritmo da coisa) e bem-humorada para com o público (o seu “obrigada” era dito num excelente português), mas este revelou-se sempre algo distante, reduzindo a sua participação ao bater palmas no final de cada música. Grande parte dos temas foram interpretados com a banda, mas relativamente a meio do espetáculo, Julie Doiron ofereceu-nos um momento mais intimista, só com ela e a sua guitarra (enquanto isso os três membros da banda foram para junto do bar). Foi com os quatro em palco que o espetáculo terminou e Julie Doiron se despediu de nós. Pelas suas qualidades, merecia mais! Fica para a próxima.

Promotor – Sabotage Club

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