São 7h50 da manhã, e esta semana tenho andado a ouvir aos poucos o primeiro álbum dos portugueses Plastic People e com o plano de ingressar o disco na minha memória ao longo da mesma. E detenho-me na segunda faixa com o surpreendente e curto tema “Night” e, rewind. Aliás, replay do tema outra vez. São só três minutos e meio de indie rock ultra melodioso que me faz lembrar uma colecção de coisas que não consigo identificar. Bom prenúncio para o resto do disco que, com uma orquestração de teclas minimal a dar vida ao refrão, se repete pela curta duração da canção. Antes, tinha estado a ouvir “Wake Up”, que abre o disco, faixa essa com um sabor a Stone Roses. Ainda antes de sair de casa oiço a terceira canção, o single “Riding High on Acid” enquanto tomo um café. E agora já volto.

Final da tarde e mais umas canções de Plastic People para ouvir: “Running”, com a sua atmosfera delicodoce que me relembra que este disco tem uma produção sonora bastante cuidada da responsabilidade do produtor Nuno Roque e, volto atrás para voltar ouvir a faixa “Night”, que até agora é a minha preferida deste disco que ainda vai a meio.

Roda ainda “Strange Love” que se calhar é talvez o momento mais pop do disco até agora e que não é necessariamente a minha preferida. “Seven Weeks” ainda dá tempo para escutar hoje. É uma faixa composta por coros, de voz bem colocada e aqui há uma veia mais pop misturada com guitarras ritmo à Lou Reed e, funciona muito bem. É a segunda faixa favorita do disco para mim, até agora. Amanhã há mais.

Dia 2 de audições do disco: e eu que estava para digerir o álbum ao longo de uma semana, e neste momento curiosamente só me faltam apenas quatro faixas. É um disco fácil de ouvir, o que é positivo. Fácil de ouvir também é a faixa “Ghosts” com teclados e uma guitarra que provavelmente é tocada com um e-bow? (ou talvez não, quem sabe) mas que transporta com o seu som em sustain a música até ao fim. “Wondering Now” parece a continuação do tema anterior com um registo mais alegre e auspicioso e até monumental. Bom tema para qualquer ouvido.

A canção “Visions” é um objecto interessante, embora aqui eu sinta a banda, e desculpem a expressão, a “navegar um pouco na maionese”, talvez devido ao arranjo um pouco mais experimental. Pois redimem-se e muito bem na última faixa do disco com a “Holy Hands” de um refrão simples e aqui a palavra pop rock com guitarras indie surge enquanto perguntam se queremos… dançar? E quando estou pronto, o tema acaba. Penso que uma mais-valia deste disco é ser descomplicado, é claro que deu de certeza um trabalhão enorme a fazer, mas esse é o segredo da arte, fazer com que para o espectador e ouvinte tudo pareça simples e sem esforço.

Ao terceiro dia de audições só posso recomendar este disco. É um auspicioso primeiro álbum para estes Plastic People, uma banda portuguesa de um apurado sentido estético. Se me é permitido, uma dica: façam um vídeo para “Night”, quanto a mim, é um clássico indie instantâneo. O resto dos que me estão ler, façam o favor de ir ouvir o álbum Visions. E depois digam-me se conseguem terminar a audição sem ficar com um destes refrões na cabeça.

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