Pedro de Dios y sus muchachos actuaram no olisipo, na passada quinta-feira. Os andaluzes (Úbeda) Guadalupe Plata  esticaram as guitarras, e fulminaram as cordas para uma plateia efusiva de fãs que encheu a sala do Sabotage Club.

Conhecidos pelo blues distorcido em instrumentos artesanais construídos e tocados pelo habilidoso Paco Marto (baixista), passaram ao longo da sua discografia de um blues “puro e duro” para um “sujo e pantanoso”. Há excepção do último álbum, Guadalupe Plata 2017, todos os outros quatro foram gravados em dois dias (3 álbuns e um EP). O que saiu foi o que ficou. Sem setlist estudada, sem grandes apresentações pretensiosas, o trio de Úbeda explora o dualismo do religioso e do profano, escolhendo o nome para a sua banda o da padroeira da cidade natal, uma espécie de protecção dos demónios que os “perseguem” nas suas composições.

As primeiras músicas foram tocadas com um instrumento sui generis, um pedaço de madeira e uma corda, que entoava um som grave. Ao longo do concerto Paco intercalava entre o um “baixo” construído com uma caixa de madeira quadrada e três cordas (barreño de zinco) e um baixo convencional. Um experimentalismo sem improviso provocador, sendo cada tema uma composição única e densa como se em cada acorde coubesse o mundo do blues e a história do rock (“Qué he sacado com Quererte”, 2017) Um punhado de temas instrumentais, colados a um blues totalmente descomprometido com os puristas, e muito receptivo ao comum do rockeiro.

Voz estridente (daquela que não fere os tímpanos) que em cada soletrar de vocábulos, belzebu provocava em Dios convulsões elétricas contagiantes, “Tengo el diablo en el corpo” (2015). Uma corrente pendurada no prato da bateria, que acompanhava as batidas determinadas de Carlos Jimena (baterista), ecoando um som eclesiástico.

Sem pausas para respirar, os Guadalupe Plata provaram que os prémios recebidos não foram em vão e que o selo de “música independente” continua a coloca-los nas luzes da ribalta (poucas são as bandas espanholas com o seu sucesso nos EUA). Quatro CD´s editados de dois em dois anos (desde 2011), todos eles com nome homónimo.

Com o suor a correr nas fontes e a espezinharem cerveja no mosch, o público entoava o refrão de “Lorena” (2011) ou “Milana” (2013). Regresso para um encore que deixou Pedro de Dios à conversa com os que se encontravam colados ao palco.

Uma rentrée perfeita para o clube (puro) Rock’n’roll lisboeta. A Música em DX está pronta para mais uma temporada!

Texto – Carla Sancho
Fotografia – João Rebelo