Sexta e sábado foram dias especiais no Musicbox. Muito por culpa dos dois primeiros espectáculos de Rubel em Portugal. Acompanhado de Casas e Pearl, os seus dois discos, subiu a uma sala que se esgotou para assistir ao novo fenómeno da música popular brasileira. Como tal, até pode ser prematuro, mas resta-nos dizer obrigado.

Obrigado por ter esgotado as duas datas. Não é fácil, principalmente quando revelava na entrevista anterior, que não fazia ideia que fosse esgotar num instante não um, mas dois dias. O que faz com que não impressione com que o público soubesse as letras todas de cor.

Obrigado pela ousadia. Obrigado por ter tocado logo como primeira música o “Quando Bate Aquela Saudade“. A música mais conhecida, se calhar a primeira que os fãs escutaram foi a primeira com que o carioca tocou para afinar as suas cordas. A meia luz, num ambiente muito intimista, colocou o Musicbox alinhado com os astros do romance, dando entrada a uma noite que viria a ser muito especial.

Obrigado pela viagem no tempo. Por ter recuado ao Pearl, o público ter cantado como segundas vozes ao som de Pearl (o single homónimo do primeiro álbum), de terem feito silêncio quando a sua voz enchia a sala que está debaixo da ponte da Rua do Alecrim, com o “Quadro Verde”.

Obrigado pela simplicidade. Descalço, sozinho só com a guitarra fizemos incursão àquela que também pode ser a tua nova casa, Lisboa. Embora tenham faltado temas como Sapato ou Chiste, não faltou o Pinguim ou o Mantra (que em versão acústica e sem o Emicida, também sabe bem).

Obrigado por um concerto com cerca de uma hora e quinze minutos soube a pouco e soube a muito. Pouco porque todo o tempo é pouco para descobrir as histórias de Rubel. Muito porque cada minuto foi bem aproveitado.

Obrigado também por partilhar isto tudo connosco. O Partilhar foi outro dos grandes momentos da noite (pelo menos da noite de Sexta), que nos fazem crer que se tivermos mais 80 anos pela frente, que o próximo seja para voltar a vê-lo aqui em Lisboa (com ou sem banda, como quiseres). Agora a aventura segue Portugal fora, com mais dois concertos no norte do país.

No final, deixou-nos com o um “valeu, Lisboa!“. Valeu, Rubel!

Texto – Carlos Sousa Vieira
Fotografia – Ana Viotti | Musicbox Lisboa