Foi na fria noite do passado Sábado, dia 27 de Janeiro, que no coração da misteriosa Sintra, Poli Correia deixou cair o véu do mais recente projecto que tem. Uma sala intimista do Centro Cultural Olga Cadaval recebeu uma família unida pela música e pela alma.

Em palco, uma imagem composta por João Brito na guitarra, Mike Ghost no baixo, Guru Marques na bateria, Paulo Machado nas teclas e, ao centro, Poli e sua guitarra acústica despidos de todo e qualquer preconceito. Batiam as 21h30 quando o concerto começou… Um arrepio frio subiu a espinha e os pêlos ficaram em pé. Poli cantava em português canções sobre a vida, o amor, a luta e sociedade. A acompanhá-lo, a sobriedade de uma estrutura bem oleada e montada e a consolidação de um instrumental coeso e forte. Aqui, o objectivo é chegar a mais pessoas e alcançar novos objectivos que, certamente, acontecerá num ápice!

A alma que aplica a tudo o que faz, acompanha-o sempre! As letras que compõe, a expressão que lhes dá, os dedos mágicos e os riffs próprios estavam ali, diante de nós! No entanto, apesar de sentir esta alma, não a senti na sua plenitude!  

À quarta faixa, chamou ao palco um companheiro de infância para com ele cantar a sua versão da música de Dino D’Santiago, uma música que fala de Quarteira e das suas gentes, cantada com o toque nostálgico da recordação. “Faca” tem uma letra forte na sua essência e fora apresentada, inicialmente, com guitarra acústica e acordeão e, posteriormente com a banda completa. António Variações também esteve presente com uma versão de “Erva Daninha Alastrar” muito bem conseguida. “97” vinha de seguida, uma música de intervenção acompanhada por acordes aconchegantes. Allen Halloween, com um MPC em mãos, partilha a música e o palco com Poli que interpreta, com ele, “Cobrador” e depois, com banda, “ Bandido Velho”. A união do rap ao pop rock cria um abraço amistoso e sentido de almas! Já na recta final, Frankie Chavez traz em mão o seu slide e acompanha o resto da banda em “Fé de Invejar” e “Tempestade”, o primeiro single saído deste projecto.

No fundo, naquela noite, sentiu-se uma união familiar acompanhada de uma vertente desconhecida. Apesar de toda a excelente produção, no meu peito, fica a ferida e não o conforto. Em cima daquele palco, assistiu-se a um verdadeiro acto de coragem! Coragem para enfrentar os ventos contrários que pode encontrar no caminho, um caminho que, talvez, seja o mais fácil!


Texto – Eliana Berto
Fotografia – Nuno Cruz