Sofia de nome, Teixeira de apelido. Há qualquer coisa como nove anos atrás, decidiu criar um blog para partilhar a sua paixão por literatura, de nome BranMorrighan. Anos mais tarde, decidiu adicionar a componente musical, tornando-se numa autêntica rampa de lançamento para variados projetos musicais portugueses, como foram os casos de First Breath After Coma ou a mais recente Surma; de um modo geral, o BranMorrighan tornou-se num dos mais consagrados blogues de descoberta e divulgação de nova música portuguesa dentro do meio.

Soprando nove velas de existência no dia 13 de Dezembro – curiosamente, data de aniversário que coincide com a deste que vos escreve – a festa fez-se, como já tem sido hábito, em Janeiro do mês seguinte no MusicBox. Senhora com os seus metro e noventa de altura, o seu tamanho é equiparado com a sua gentileza, onde até na festa do aniversário do seu blog decide distribuir prendas aos seus leitores: Nada-Nada, TIPO e Whales foram os presentes que o público foi desembrulhando ao longo de três horas repletas de festividade.

Os olhos do grande público reconhecem-no como Cláudio Fernandes, um dos membros de PISTA, mas é com Nada-Nada que o destemido músico se chega à frente para captar as luzes da ribalta. Numa noite que marcou a sua estreia para com banda, lindamente acompanhado por Ricardo Martins, Ernesto Vitali e Diana Meira, Cláudio demonstrou a sua capacidade nata em criar uma pop dançável e eletrizante, com músicas como “Roberta” e “Horário de Verão”, singles de avanço para o disco com o mesmo nome, que verá a luz do dia este ano, a aquecer um MusicBox que se mostrava bem composto.

20180105 - Nada-Nada | 9ºAniv BranMorrighan @ Musicbox Lisboa

Conciliando acordes frenéticos de indie rock com ligeiros vestígios de synth-pop, gerando um clima afrodisíaco mais do que palpável, Nada-Nada trouxe tudo(-tudo) para uma meia-hora eletrizante que convidou a uns quantos pezinhos de dança e que se revelou aposta certeira para o início de uma noite que tudo tinha para ser especial.

Momentos mais tarde chegou a vez de Salvador Menezes, que naquela noite se apresentaria enquanto o TIPO, dar o ar de sua graça. Aproveitando uma a outra folga do seu principal projeto, os You Can’t Win Charlie Brown, que o acompanhariam em palco, Salvador presenteou os presentes com um vasto leque de canções doces e ternurentas, que fogem do registo que o músico tão bem nos habituou enquanto peça fulcral do sexteto conhecido por temas como “Pro Procrastinator”; não é tão bonito ver o quão versátil um artista consegue ser?

20180105 - Tipo | 9ºAniv BranMorrighan @ Musicbox Lisboa

Entre “Acção / Reacção” ou “Jugoslávia”, Salvador Menezes não teve quaisquer dificuldades em entreter um público que se demonstrava curioso perante esta sonoridade do músico, com grande destaque para a sua carismática guitarra de apenas três cordas. Desvendando o véu do seu futuro primeiro disco de originais, a ser editado este mês, TIPO é um belo exemplo daquilo que o BranMorrighan tão bem faz: dar a conhecer a música mais promissora do panorama musical português.

Já perto do final da noite, e acatando o título de ‘banda principal’, os Whales incendiaram o MusicBox com uma atuação frenética e que certamente os deixou no radar como sendo uma das bandas portuguesas a ter em consideração nos próximos tempos. Pedro Carvalho, Vasco Silva e Roberto Oliveira podem ser ainda relativamente novos por estas andanças, mas é essa mesma juventude que lhes dá energia para criar uma eletrónica tão efusiva e contagiante, gerando um autêntico círculo de dança pela sala ao longo de todo o concerto.

20180105 - Whales | 9ºAniv BranMorrighan @ Musicbox Lisboa

Poucos dias antes daquela noite, a banda revelara o segundo avanço para o seu disco de estreia através de um ‘curioso’ blog que apoia a música portuguesa (qual será…?), sendo precisamente com “Ghost” que o concerto arrancou, encerrando também ao som da mesma. Pelo meio, todavia, houve tempo para uma viagem ao passado através de “Big Pulse Waves”, canção que os apresentou ao mundo e, apesar de ter uma sonoridade bastante diferente da vertente mais para o eletrónica que a banda tem adotado ultimamente, em nada soou desenquadrada. Aliás, foi mesmo umas das canções que mais distúrbios causou naquela noite.

Entre estreias de canções, tanto cantadas ou puramente instrumentais, a banda encontrou tempo para cantar os parabéns a Sofia, momento bonito e quase exigível, sendo este rapidamente cantado por toda a sala, sendo depois sucedido por uma estrondosa “How Long” em jeito de finalização e capaz de deixar meio MusicBox a levantar o pé com os Whales, terminando-se no modo apropriado para aquela noite: festivo.

Nos próximos anos, pela mesma altura, lá se estará para o décimo, o décimo-primeiro ou o décimo-segundo aniversário do BranMorrighan. Que muitos mais anos venham em que possamos, nesta noite, dar um beijinho, um abraço ou umas palavras amigas a uma pessoa que, nos últimos tempos, se tem revelado como uma das maiores catalisadoras da melhor música que se faz dentro de Portugal.

Em nome de toda a Música em DX, muitos parabéns para ti, Sofia!

Texto – Nuno Fernandes
Fotografia – Luis Sousa