Infected Fest VI, dia 1: O calor reconfortante da música

Esperava-nos uma noite chuvosa e a alma pedir conforto. O caminho guiava-nos ao Infected Fest, um festival que já nos habituou a, anualmente, recebermos o melhor aconchego musical no início do outono. Este ano, pela 6ª vez, não foi diferente! O caloroso Popular Alvalade, recebeu, uma vez, as almas sedentas de rock e punk rock para com elas partilhar o que de melhor anda nas lides nacionais e internacionais.

Com a pontualidade de inglês e a hospitalidade de almas que amam a música, o primeiro dia de Infected começou às 21h30 com os húngaros Dope Calypso. Com uma postura extrovertida e bastante apelativa, em cima do palco e, pela primeira vez em Portugal, espalharam o charme de quem emana de forma saudável uma loucura contagiante. Apresentam um espectro de boas energias e vibrações emocionantes de uma sonoridade que mistura o rock de garagem, os traços leve do punk rock e alguns contornos de psicadélico. Numa montanha russa de emoções, onde tanto rasgavam a atmosfera com uma sonoridade mais pesada como acalmavam os ânimos com algo mais melódico, foram 12 faixas contínuas, rápidas e curtas que nos fizeram dançar e saborear cada nota. As teclas brilharam no meio das duas guitarras e a voz com toques californianos trouxe a dualidade sujo-limpo que tanto apreciamos.

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De seguida, com um peso mais denso, os Jackie D. O começo do concerto foi algo calmo e melancólico, com uma voz suave e profunda e um cozinhar de riffs bastante temperado e trabalhado, adoçado pelo conforto do baixo. Toques de Alice in Chains, com riffs de Rage Against The Machine e algum cheiro a anos 90 reportaram-nos para um universo algo paralelo onde repousamos uns bons minutos. A bateria acelerava o coração que, por vezes subia à boca, e a duração das faixas embrulhava-nos numa espécie de conforto desconcertante. The Jackie Spot, foco do concerto trouxe-nos “Explode”, “Yeah yeah”, “Release My Soul” que reforçaram o modo crescendo do concerto que soube a muito pouco!

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A terminar a noite, o folk cantado com o coração de Sam Alone & The Gravediggers. É impossível que a alma não se restitua de qualquer dano perante um concerto destes rapazes. João, Poli, Sara, Pedro e Guru ocupam as suas posições ao som de “Mercedes Benz” de Janis Joplin. “Shine”, “Crucify” e “Little World” apresentadas de rojo e com a intensidade da alma que anda sempre de mão dada com o poder do coração. A guitarra de João Brito dança tão naturalmente que nos envolve sem darmos conta numa teia de sedução auditiva onde nos perdemos por momentos. A “Restless” é apresentada num formato mais calmo e profundo, sendo acompanhada por um coro de almas sedentas deste calor e emoção que só o Poli consegue transpor para a música. De seguida o duo vocal partilhado com Sara em “Shadow Of The Hero” que arrepia qualquer um sempre que encosta os lábios ao microfone. Apresentaram-nos uma faixa nova, construída na estrada, que em nada foge da intensidade a que estamos acostumados. A emoção de “Warm”, de seguida, fez com que tudo se resumisse a uma só alma que cantou em coro de coração apertado e pulmões abertos, naquele momento arrepiante que é sempre esta canção. O passo a seguir era dado com a adaptação de “Fight” de Frankie Chavez que ganhou uma nova cor, rapidez intensidade. “Tougher Than Leather” e “Gallow” marcaram novos coros e, por fim, o poder de “Gardens Of Death” com uma introdução de riffs melancólicos brutalmente sábios e a junção com “Because The Night” de Patti Smith. O conforto das palavras de Poli e a alma que deposita em tudo o que faz fazem com que, no final de cada concerto que dá, haja uma leveza e um sorriso espalhado pelos rostos dos presentes. Assim foi! Mais uma noite de saciedade e de pura degustação de boa música.

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O caminho fazia-se em modo sorridente e o dia seguinte trazia mais música e alimento para a alma.

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DIA 1

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Infected Fest VI Dia 1 Jackie D.
Infected Fest VI Dia 1 Sam Alone

DIA 2

Infected Fest, dia 2: O Tempero do punk!

 

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Ana Pereira
Evento – Infected Fest VI
Promotor – Infected Records