Radio Moscow, Kaleidobolt e Her Name Was Fire – 3 horas quentes e ensurdecedoras mas felizes!

No passado domingo dia 1 de Outubro tivemos o prazer de ter novamente em Lisboa os Radio Moscow, trio americano muito acarinhado por cá, que nos presenteou com a apresentação do seu novo álbum, New Beginning, o quinto, editado dias antes e que chega até nós com a sua Drifting Tour que no dia anterior os havia levado até ao Porto.

Desde Agosto que se este fim-de-semana estava marcado na agenda de muitos dos amantes chamado heavy psy.

Foi uma noite que começou cedo e à hora marcada com o duo português Her Name Was Fire que apesar de encontrar uma casa ainda a meio gás não se coibiu de destilar toda a força da bateria e da guitarra. O som que Tiago Lopes e João Campos produzem ultrapassa em muito aquilo que normalmente se faz  numa banda com dois elementos, constroem uma sonoridade bastante cheia e plena, quente mesmo, dir-se-ia, e incendeiam com facilidade a plateia que aos poucos se vai compondo. Embalados em riffs fortes e cheios com uma batida mais que forte, possante, é impossível não bater o pé e abanar a anca em músicas como Wrong ou Way to Control.

Exibiram as músicas do disco que saiu em abril deste ano, Road Antics, levaram-nos por uma estrada sinuosa e mesmo um pouco tortuosa de volta a sonoridades que ao mesmo tempo que nos parecem familiares ali são desconstruídas para dar lugar a um novo caminho.

Os finlandeses Kaleidobolt estrearam-se em Portugal nesta data dupla com os Radio Moscow, e entram exatamente no momento certo em palco e igualmente cheios de adrenalina explodem sobre o público todo o seu blues pesado para nos levarem numa viagem àquele tempo em que o vinil era senhor e a rádio e as publicações da especialidade a montra deste mundo.

Embora não possuam a longevidade dos Radio Moscow, o primeiro disco remonta a 2014, exibem uma experiência característica destas sonoridades, e espelho do blues por onde tanto navegam as suas músicas. Com uma garra fabulosa o trio agarrou o público e cumpriu de forma eximia o seu papel. A reter e para ouvir novamente Steal My Thunder e Big Sky Land, mas também City of The Sun e  Showdown a terminarem um concerto cheio e quente num pico de adrenalina!

Dos americanos Radio Moscow esperava-se tudo e não se esperava nada. Já são uma banda com um com um culto bastante alargado por cá. Um must see, must have das bandas que respiram e transpiram o blues e o rock como poucas o fazem hoje em dia de forma tão cheia de uma real originalidade sem pisar em tudo o que os alimentou neste anos que por aí andam ou mesmo nas influências que emanam.

Tem neles contido o passado o presente e parte do futuro do psicadelismo. Não parecem nada preocupados com isso, aparentemente pouco mais que fazer música os preocupa e a felicidade com que se entregam em palco mostra isso bastante bem.

Com uma setlist a presentear-nos com músicas do novo álbum, New Beggining ou Pacing e por algumas das músicas mais icónicas da sua discografia como 250 Miles / Brain Cycles, Woodrose ou Broke Down.

O que nos trazem não traz nada de novo, mas também não é isso que procuramos. Aqui temos o conforto previsível e expectável de um delicioso rock n’roll cheio de blues e psicadelismo mas que nos surpreende pela qualidade e entrega da banda.

O que o público quer é esta certeza, que vai sair num domingo à noite e pagar para ver, mas sabendo que vai valer a pena cada minuto de pé e cada euro gasto.

Podem passar por cá novamente no próximo verão num sitio qualquer quente e cheio de sol para nos levarem a navegar nas ondas do psicadelismo?

Uma importante nota a apontar a três concertos irrepreensíveis. Apesar de tudo isto ser Rock n’roll a verdade é que a maioria de nós quer continuar a ouvir música e o zumbido continuo que percorreu os nossos corpos durante as 24 horas seguintes pode de facto ter o seu quê de prolongamento da sensação quente e feliz daquelas 3 horas, mas a verdade é que o volume esteve descontroladamente elevado.

Texto – Isabel Maria
Fotografia – Nuno Cruz
Promotor – Amazing Events