Conhecemos Bruno Camilo no lançamento da Nova União das Artes, em Almada, em Dezembro de 2014. Este evento contou com vários artistas, entre eles o Bruno enrolado no piano com uma voz arrastada e um punhado de canções liricamente encorpadas. Era o seu primeiro trabalho editado – “Turvo”. Estivemos à conversa com o Bruno Camilo num final de tarde de Abril, contemplando a magnifica vista para o Tejo, sobe as grandes janelas do Gingal Terrasse em Cacilhas.

Passou quase dois anos e, quanto menos esperávamos, o Bruno envia-nos o seu segundo trabalho com maior expressão instrumental e sem título “Isto Devia Ter Nome”. Com o seu companheiro de palco e de estúdio, o (excelente) guitarrista João Nunes, e desta vez com mais dois músicos, Zito Tavares (baixo) e Paulo Antunes (bateria). Era esta a composição do primeiro concerto de lançamento do CD “Isto Devia Ter um Nome”, dia 18 de Novembro no Popular Alvalade.

20161118 - Concerto - Bruno Camilo @ Popular Alvalade

O quarteto estava alinhado, a guitarra eléctrica de Bruno Camilo descansava junto ao piano que o esperava. O tempo passou quase sem darmos conta, “Isto Devia Ter um Nome” foi tocado de seguida, com alguns comentários mais íntimos de Bruno, em que num deles nos contava que seis anos antes, aquela mesma composição de músicos ainda se juntou e fez uma tentativa de criar uma banda. Por força do acaso isso não aconteceu, e agora estão a lançar o álbum e a tocar juntos.

20161118 - Concerto - Bruno Camilo @ Popular Alvalade

Equilíbrio entre a guitarra eléctrica e o piano, no arrastar de voz do Bruno. Arranjos muito bem conseguidos na guitarra de João Nunes, que a dedilhar batem aos pontos muita gente da praça. Mas é na disciplina do piano que Bruno Camilo se entrega, e projecta a voz na alma, “Se o mundo acabar”. Diversidade nos ritmos em cada tema, que deambulam em rasgos mais exorcistas das guitarras, “Daqueles Dias”, e acordes harmoniosos de blues ,“Tempestade”.

A banda almadense de Bruno Camilo, irá correr mais salas em Lisboa e na margem sul os próximos meses.“Isto Devia Ter Um Nome” tem a característica subtil disso mesmo, poderemos dar-lhe o nome que quisermos.

Alinhamento:
1. Como é que isto se escreve
2. Tempestade
3. Enquanto o tempo pára
4. Daqueles dias
5. Se o mundo acabar
6. Clareou
7. Vi o fim
8. Calçada

Texto – Carla Sancho
Fotografia – Luis Sousa