A Infected Records tem vindo a mostrar ao mundo o que de bom se faz em Portugal. Há 13 anos que nasceu e há 5 que nos prenda com um festival onde a palavra de ordem é o underground, o Infected Fest. Este ano a festa aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de Novembro no palco do Popular Alvalade e pode dizer-se que não podia ter corrido melhor.

Depois de uma noite onde a euforia, o caos e a intensidade abundaram, a segunda noite de festival trazia-nos uma mescla de estilos musicais, cores e sorrisos que nos inquietavam e, ao mesmo tempo, nos transmitiam a maior serenidade possível.

Já com a casa quase cheia, a noite começava às 22h30 e trazia-nos um aperitivo suculento e inesperado. Eles eram os The Ramblers e transpiravam, rock’n’blues. Os riffs ritmados do blues casavam-se com a voz de Rosie que, tem poder suficiente para deixar o público com os queixos caídos. O baixo criativo, juntamente com a bateria calorosa, finalizavam o desenho e enchiam-nos de prazer. Foi pouco o tempo que tocaram, mas foi suficiente para nos fazer dançar e encarnar diversos personagens dentro daquele espaço tão familiar.

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fotos na galeria Infected Fest Dia 5 The Ramblers

O cheiro habitual do incenso anuncia quem são os próximos a subir ao palco. Quase um ano de existência e pouca necessidade de apresentações. Eles são os CORREIA, são irmãos e trazem consigo o Rúben, o João e muito rock nas veias. Livrem-nos da escuridão! Tragam-nos luz e alimentem-nos a alma! É notória a evolução em cima do palco! Os riffs estão cada vez mais bem trabalhados, o baixo mais aconchegante e a bateria mais galopante. A acompanhar os instrumentos, as vozes contam-nos histórias e mostram lições de vida com a ironia bonita que traz a essência do rock. “Quem são estes? Como é que eu não conhecia isto?” ouve-se pela plateia que enlouquece com faixas como “Seekers of Light”, “Stepfather” e com a malha que é “Deceivers Of The Sun” religiosamente deixada para o fim e deliciosamente dedicada aos Fitacola.

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fotos na galeria Infected Fest Dia 5 CORREIA

Os próximos a subir o degrau para o palco eram os Fitacola e, pela plateia, já se cheirava euforia, viam-se t-shirts alusivas e ouviam-se gritos de chamamento. Com a bateria a partir tudo, o punk-rock soava alto e em bom som. Alguns riffs de rock e a voz (um pouco mais limpa do que uma banda com origens punk pede) espalhavam a loucura e os saltos. Enquanto o público berrava as letras como se quisesse ficar sem voz, em cima do palco puxava-se ainda mais por ele para que, em vez de várias, existisse apenas uma alma naquela sala. Logo ao início do concerto, a música “Trinta” foi dedicada ao João, da organização do festival e ouvimos ainda êxitos como “Só Mais Uma Vez”, “Ganhar ou Perder”, “Sobreviver” e “Desafio Principal” entre muitos outros. Foi um concerto com a adrenalina a disparar e muito suor a escorrer. A garra dos Fitacola é de louvar a sua energia também, conseguem mover muitas faixas etárias e trazem com eles uma legião de fãs digna de vénia.

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fotos na galeria Infected Fest Dia 5 Fitacola

Não poderia haver melhor maneira de terminar o segundo dia de festival nem esta noite. Os Miss Lava têm já um enorme reconhecimento no panorama underground português e não é para menos. A música que fazem distancia-se de alguma forma do que estamos habituados a ouvir. O simples facto de a voz se apresentar distorcida e com um certo delay, faz com que as músicas ganhem uma nova forma e cor tal Nine Inch Nails com um certo travo a Disturbed. A ajudar, o guitarrista, com grandes solos e riffs trabalhados na guitarra, não deixando o baixo ficar para trás que ajuda a dar o toque pesado e grave à música. Não esquecendo o baterista que não precisa de muito esforço para fazer um brilharete. Com álbum novo lançado em Maio deste ano de nome Sonic Debris, não haveria melhor foco que esse. Acolhido e bem recebido por quem ainda não tinha ouvido, trata-se de um álbum que mostra a maturidade da banda no seu percurso. Gula, sede, fibra e muito poder são as palavras certas para descrever um concerto destes rapazes. Faixas mais recentes como “At The End Of The Light” (tocada no encore), “In The Arms Of The Freaks” e “Symptomatic” tanto causaram caos como perplexidade, tendo a “Ride” (mais antiga) guiado o concerto ao auge.

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fotos na galeria Infected Fest Dia 5 Miss Lava

De relevar a excelente organização do festival e o local tão bem escolhido. Fomos recebidos sempre com uma simpatia e boa disposição como se à casa pertencessemos. Os horários foram sempre cumpridos e as bandas, para além de bem escolhidas, muito bem recebidas também. Mas o festival não acabaria aqui, no dia a seguir, vinha uma matiné dedicada à velha guarda do bairro de Alvalade. Que, só de pensar, um nervoso miudinho sobe pela espinha.

O Música em DX é parceiro oficial do Infected Fest 2016. Toda a informação estará disponível no nosso website em Reportagens > Festivais.

Os artigos e fotografias de cada dia estão disponíveis em:

Infected Fest 2016, a fotoreportagem do primeiro dia
Infected Fest 2016, segundo dia: Rock em ebulição
+ Infected Fest 2016, a fotoreportagem do último dia (de festa)

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Nuno Cruz
Evento – Infected Fest 2016
Promotores – Infected Records