Se no seu primeiro trabalho autoral, o músico e produtor paulistano Gui Amabis foi buscar a ancestralidade nas Memórias luso-africanas, no seu terceiro disco, Gui volta mais ruivo do que nunca.

Sem perder a densidade e o furor, Ruivo em sangue contrapõe o ar soturno e a introspecção sufocante de Trabalhos Carnívoros, o seu segundo projeto, fazendo uso de paisagens solares, temas oníricos e construções categoricamente cinematográficas.

Composto e gravado entre São Paulo e Lisboa, Ruivo em sangue carrega no gene a solidão insólita de caminhar à deriva pelas ruas da capital portuguesa.   Os frutos de mais uma investida peregrinatória às suas origens resultam na leveza harmônica das composições (algumas delas contaram com a magnitude de um quarteto de cordas) e, sobretudo, uma aproximação maior entre seus parceiros e do seu próprio canto.

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Abstrações musicais sofisticadas, guitarras progressivas e arranjos grandiosos à parte, Ruivo em sangue parece sangrar feridas inventadas por um valente menino “com brilho na vista”, antevendo algo inédito sobre nós mesmos, como num sonho, num susto bom.

Mais informação em www.guiamabis.com.br onde é possível fazer o download gratuito do álbum.

Fotografia (Capa) – José da Holanda