O Festival Rotas & Rituais é uma iniciativa promovida pela EGEAC que acontece este ano sob o tema principal “A Liberdade não é um acessório”.

Merece todos os louvores pela promoção não só da música portuguesa nas suas diversas vertentes – do cancioneiro popular à pop ou ao pós-punk – mas também por toda a cultura que o seu programa divulga associada ao cinema, à fotografia, ou à discussão de temas tão importantes como a Democracia, a Internet nos nossos dias, e o papel dos Orgãos de Comunicação no meio de uma nova realidade chamada Século XXI.

Estivemos ontem no Cinema São Jorge em Lisboa para o nosso primeiro de dois dias com o Rotas & Rituais para testemunhar uma mistura musical altamente improvável mas tão perfeita quanto inimaginável.

Estavam à nossa espera na 1ª parte do dia Lula Pena, uma cantora e compositora nascida em Portugal mas pertencente ao Mundo, um tesouro valiosíssimo que tem andado escondido, mas que permitiu agora aparecer para partilhar a sua riqueza. Começou em tempos por se dedicar às artes visuais, aí trabalhou pela Europa fora, andou pelo Brasil, enquanto actuava em bares e clubes de jazz, quando um dia se decide dedicar por inteiro de corpo e alma à música, partilhando com todos os que a ouviam uma magia única e envolvente sob a batuta de várias influências musicais provenientes do Brasil, de Espanha, França, ou do Reino Unido, tendo o tom em comum a sua guitarra acústica e a sua voz quente marcadamente influenciada pelo Fado.

Como 2º parte, num enorme contra-senso musical, o explosivo e hiper criativo B Fachada. Depois de um sabático ano de 2013, B Fachada volta agora com toda a sua energia e criatividade no máximo do seu esplendor. Numa espécie de ponte entre partes, houve o improvável e brilhante duo Lula + Fachada, que não é novidade pois em 2011 já tinham feito uma pequena tour onde passaram por Leiria, Torres Novas, Torres Vedras ou Coimbra.

Se de Lula Pena ouvimos os principais temas do seu album “Troubadour” muito aclamados pelo público, de B Fachada ouvimos também os seus temas clássicos, e também os do seu último album homónimo.

Volta e meia gostamos de deambular pela diversidade musical portuguesa. Ora o Hip Pop, ora a música de canta autor, ora na maioria do que divulgamos, o Pop, Rock e Psicadelic Rock. Mas ontem foi muito bom termos conhecido a Lula Pena. Queremos saber e ouvir mais. Do B Fachada, já o tínhamos encontrado no Festival Nova Música, e só desejamos que por aí continue como sempre o conhecemos. É um vendaval de energia e criatividade lírica rara de se encontrar.

Texto – Carla Santos
Fotografia – Luis Sousa
Evento – Festival Rotas e Rituais
Promotor – EGEAC