No passado sábado, dia 7, decorreu mais uma edição do Rock da Velha em Pernes. Desde 1999 que a coletividade cultural Música Velha vem a descentralizar uma das vilas do município de Santarém. Em cartaz, estiveram presentes Klatter, Avesso e Mães Solteiras.
Quem abriu a noite foram os escalabitanos Klatter. Ao jogarem em casa, conseguiram à primeira nota agitar o público que por lá se encontrava. Tanta euforia que se iniciou logo um mosh entre os mais aventureiros. Música atrás de música, a banda contagiava a um rebuliço, fazendo com que a sua presença em palco fosse ainda mais sentida. Como o público dava o seu máximo, estes tocavam ainda mais euforicamente e com garra. Desde os clássicos da banda à cover de Rage Against The Machine, estes meninos já têm a lábia toda de como ter o público na mão. Com idades entre os 22 e os 24 anos, parece que já nasceram ensinados sobre como estar em cima de um palco.
© Iolanda Pereira
A banda que se seguiu foram os portuenses Avesso. Consigo trouxeram um post-rock misturado com rock experimental bastante melódico e meloso. Entre letras que abordam temas como o subconsciente do ser humano e a poesia de Fernando Pessoa, o concerto foi firme e consistente, fazendo com que os demais parassem para absorver toda aquela atmosfera “paisagística” que a banda versava. Contudo, houve direito também a agitação do público com mosh e, até mesmo, a presença de Paulo Rui no meio da plateia. Este momento ficou caracterizado pelo apreço que a audiência reproduziu perante o baixista: uma ovação de joelhos.
© Iolanda Pereira
Para concluir o que restava desta bela noite, as Mães Solteiras subiram ao palco. Não há muito que se possa dizer sobre esta banda que sobe ao palco e o destrói completamente. No espaço de uma hora, conseguiram arrebentar com o que restava do público do Rock da Velha. Entre moshs, crowdsurfs e encontrões, o público deu tudo o que tinha neste concerto. Ninguém ficou indiferente à presença da banda. O alinhamento era composto por músicas do primeiro álbum e do mais recente trabalho que, como é já habitual, ficou marcado pelas palavras que Quim Albergaria proferia entre as músicas. A mensagem era clara e bastante importante para os tempos que correm: “Juntos seremos mais fortes”; “Abaixo o fascismo”. Entre riffs de guitarra afiados, juntamente com linhas de baixo pujantes acopladas a uma bateria “enlouquecida”, a banda proporcionou o momento mais esperado da noite. Obviamente que a melhor forma de serem recebidos foi a veemência do público ao cantar todas as letras de cada canção. Como todo o punk que é punk, o concerto foi curto e rápido, porém sentido e ouvido por todos aqueles que há muito esperavam esta atuação.
© Iolanda Pereira
Apenas posso dizer que Portugal precisa de mais coletividades como a Música Velha, que proporciona a descentralização e oferece oportunidades únicas a muitas pessoas que, possivelmente, não teriam hipóteses de assistir a estes concertos caso fossem longe de casa.



















































































































































































































