Por que caminho segue a sociedade? Aquela que está cada vez mais plástica e menos social?
“é como é como é como é” é o primeiro single do quarto LP de Tio Rex. É um tema que se debruça sobre o quão difícil é, em termos sociais, sincronizar frequências com alguém no contexto citadino. Onde as pessoas têm mais acesso a informação, o ritmo a que a socialização acontece é muito mais acelerado, e ao mesmo tempo há muita gente que sai à rua com narrativas pré-concebidas, pronta a vender a sua melhor versão a toda a hora, e talvez por isso esteja menos disposta a ouvir e a encontrar o outro.
Assina no BI como Miguel Reis, mas é como Tio Rex que tem vindo a tecer canções folk com a delicadeza da porcelana, alternando entre a língua de Pessoa e o coração de Whitman. Recorrendo a harmoniosas composições de guitarra e munido de uma voz grave, serve-se da catarse na busca e criação de uma identidade, construindo o seu próprio imaginário autobiográfico que, de disco
para disco, vai ganhando novos capítulos e abordagens alusivas ao mundo que o rodeia.
É desde 2012 que Tio Rex alimenta uma discografia rica e variada – de onde se destacam os elogiados 5 Monstros (2014), Ensaio Sobre a Harmonia (2015), 5 Tragedies (2018) e o seu terceiro álbum de originais Life, Love, Loss & Death (2021) – onde é possível encontrar tanto poesia musicada e baladas à guitarra, como composições com banda completa e arranjos de sopros e cordas. Este último, produzido por Sérgio Mendes e pelo autor, foi desenvolvido em torno dos 4 motifs que lhe dão o nome e que, representando o ciclo da vida, existem como ponto de contacto que nos une na condição humana.
Editado em outubro de 2021 com o selo da Cidade Fantasma, este disco conta com a participação de 13 músicos e foi apresentado ao vivo em Setúbal, Barreiro, Aveiro, Coimbra, Porto, Lisboa e Sertã.
Em dezembro de 2022, no 10º aniversário da gravação do seu primeiro e homónimo EP, o artista reeditou e disponibilizou-o pela primeira vez em todas as plataformas digitais.
No seu percurso, Tio Rex colaborou com artistas como Fast Eddie Nelson, Um Corpo Estranho, Golden Slumbers e Davide Lobão e, de entre mais de 200 concertos, pisou palcos tão diversos como o Festival Bons Sons, o Trampolim Gerador, o MUVI Lisboa, o Cidade+, a Green Week Guimarães e o Festival Mêda+, prezando a intimidade em ambientes solenes e convidando o seu público a viajar por paisagens, ora densas e negras, ora carregadas de luz e esperança.



