Na passada sexta-feira dia 19, todos os caminhos foram dar à Rua da Praia de Pedrouços em Algés. A sala da Associação Dramática Familiar 1º de Novembro de 1898 (ADF) em Pedrouços, recebeu as tribos do punk rock com um aconchego revivalista, fazendo as delícias dos que acompanharam as três horas de punk, suor e minis!
As comemorações de um quarto de século da banda mais britânica de Coimbra, foram o mote para nos espraiarmos à grande, rever amigos e deixarmos o corpo mexer ao som das vibrações dos riffs das guitarras aguçadas do punk! Reconhecidos como sérios influentes na revolução da cena britânica, The Parkinsons regressaram a Lisboa duas noites seguidas com um alinhamento premium. Revisitando todos os grandes hitts como ‘Primtive’, ‘Streets of London’ ou ‘Nothing to lose’, temas que ficaram certamente tatuados nas salas londrinas que esgotaram noite após noite. O trio que se mantém de pedra e cal, Afonso (voz), Torpedo (guitarra) e Chau (baixo), provou uma vez mais, que são sem grandes dúvidas uma banda de culto e que arrasta em Portugal uma legião de fãs, mais concertos fizessem e mais concertos esgotariam!
João Pedro e os Almendras foram os convidados desta primeira noite, trazendo para o palco músicas de várias bandas portuguesas de finais dos anos 80 e inícios dos 90, entre as quais e com mais rotação, Peste & Sida, Censurados e Kú de Judas. Almendra, acompanhado por um elenco de (bons) músicos, Valter Aguiar, Raquel Narciso e Luis Filipe (‘São uns animais!’, dizia João Pedro quando fez as apresentações), estará a trabalhar em novos temas que irão rebentar por aí no próximo ano. As sátiras políticas e sociais tão características destes anos e deste registo musical, parecem manter-se atuais, não fossem as tendências da extrema-direita o alvo atual a abater.
© Ana Sofia Carvalho
Quando os The Parkinsons subiram ao palco, já o público estava bem aquecido com as batidas revivalistas, das passadas certeiras da bateria e dos gritos arruaceiros de ‘Já estou farto!’. As (quase) duas dezenas de músicas, tocadas ininterruptamente, sem respiraram e entrelaçadas umas nas outras, deixaram a sala de Pedrouços sem oxigénio e com amontoados de garrafas de minis! O Vítor Torpedo, sempre com aquele sorriso de quem se prepara para se exceder na qualidade e na entrega à sua guitarra (que beija emotivamente). A doce rebeldia provocatória de Afonso Pinto, que nunca deixa ninguém indiferente, e a energia que emana em cada atuação são inevitáveis no contágio que provoca no público. Não faltou o crowd surfing e a subida ao palco de um ou outro fã em êxtase e, como não poderia deixar de ser, a ousadia da nudez!
Já estávamos a caminhar para o final, mas Afonso não deixava de provocar a vivacidade dos temas em gestos cúmplices com Torpedo e com Shau! ‘So Lonely’ arrematou a noite, num coro homogéneo do público numa ovação de culto ao Rock, ao Punk e a estes músicos que continuam a dar-nos tudo, cada vez que sobem ao palco.
Não posso deixar de repetir o que já disse noutros registos sobre as atuações dos The Parkinsons, isto não são concertos, são experiências sensoriais!
Alinhamento Concerto The Parkinsons
Primitive
A Night in the council state
Heroes & Charmers
To Many Shut ups
Streets of London
New Wave
Angel in the Dark
Running
Nothing to Loose
Numb
Burning Down
Bad Wolf
Body & Soul
Bad Girl
Heavy Metal
So Lonely
© Ana Sofia Carvalho













































































































































































































































































