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Pluto, A poesia do rock sem rodeios

A arte de saber cantar em português não se pode dissociar da arte de saber escrever em português. Apesar de (agora) existir uma vaga (gigante) de bandas a usar a língua materna nas suas canções, não quer dizer que o consigam fazer da melhor forma possível. Não é que exista uma fórmula a ser respeitada, o que precisa de existir é talento. Talento nas duas artes de que falei no início deste texto. Apesar da grande afluência, são poucos os projectos/bandas que conseguem ter o dom de possuir estas artes. O consumidor de música como produto não entenderá o que quero dizer, mas o apreciador de música como batimento cardíaco não precisou que eu passasse da primeira frase.
Manuel Cruz é um daqueles que pertence ao círculo restrito que possui o dom e o talento de saber cantar e saber escrever e Pluto é aquele projecto seu mais rough, mais rock, com mais distorção. O que poderíamos querer mais? Que eles não tivessem acabado há uns anos atrás não era? Mas agora estão de volta e estão em excelente forma! A prova disso foi a celebração dos 20 anos do seu primeiro e único disco Bom Dia, que ocorreu no passado dia 5 de Dezembro no Capitólio.

A sala merecia estar esgotada mas ainda assim foram muitos os que saíram de casa naquela noite chuvosa para recordar e honrar a música dos Pluto. A maioria da plateia compunha-se de uma faixa etária entre os 30 e os 45 e percebia-se pelo sorriso, a importância desta banda sonora no seu passado.
Os Pluto, com a sua formação de sempre, começaram um pouco depois da hora e, após a segunda música, Manuel Cruz já se estava a despedir, mas ele sempre gostou de ironizar. Não fosse a força que carrega com ele e nas suas letras. Característica que se distingue a léguas, tal como a sua voz.
E essa composição é abrilhantada pela guitarra de Peixe, pelo ritmo que o próprio Manuel faz na sua guitarra e pela linha de baixo de Edu e, meus caros, não há nada melhor que um bom instrumental de rock sem merdas! 

O concerto contou com o alinhamento completo de Bom Dia, lançado em Outubro de 2004, com três inéditos: “Coisas Dela”, “Sonhos que não Pedem Licença” e “Certas Coisas” e com as duas músicas novas que lançaram recentemente “Túnel” (música que abriu o concerto) e “Quadrado”.
A raiva, a revolta, o romantismo e a melancolia fizeram-se sentir durante o concerto, tendo sido um belo momento não só de nostalgia como de euforia e satisfação.
Com atenção (não é preciso muita!), conseguimos sempre tirar lições de vida e ensinamentos das letras de Pluto e, no geral, de Manuel Cruz, sempre na companhia de uma composição sonora adequada a cada projecto e com contornos brilhantes (não por serem muito complexos, mas por serem trabalhos com sabedoria e inteligência).

“Não faças, deixa que aconteça, agarra no momento para que não desapareça!” Foi assim que o concerto terminou, antes de um encore de duas músicas e fiquei com a sensação que a maioria dos presentes levou à letra. 

Façam um novo disco! Estamos todos à espera. Mas se não acontecer, tem sido bom ver e sentir este regresso aos palcos.

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