Depois de mais de três décadas longe dos palcos, Anja Huwe, a enigmática voz dos lendários Xmal Deutschland, regressou com uma nova proposta artística — e Portugal teve a rara oportunidade de receber dois momentos únicos deste regresso. A 30 de Maio, o Hard Club, no Porto, recebeu o primeiro espetáculo da artista em solo nacional, seguido da atuação na República da Música, em Lisboa, no dia seguinte, 31 de Maio.
Ambos os concertos serviram de palco à apresentação do álbum Codes, o novo trabalho de Huwe, onde explora territórios sonoros que orbitam o spoken word, o pós-industrial e o dark ambient, sem nunca perder a aura gótica que marcou a sua carreira. O ambiente era denso e performativo, com uma forte componente visual e uma presença cénica que alternava entre o ritual e o expressionismo.
No Hard Club, o público portuense respondeu com atenção quase cerimonial, absorvendo cada palavra e cada paisagem sonora como se de um feitiço se tratasse.
© Helena Granjo
Em Lisboa, a sala da República da Música acolheu uma plateia igualmente entregue, numa comunhão entre nostalgia e descoberta. Anja Huwe, acompanhada por visuais evocativos e uma sonoplastia imersiva, provou que está mais interessada em provocar sensações e pensamento do que simplesmente reviver o passado.
© Ana Carvalho
Este regresso não é um revivalismo. É uma reinvenção. Um manifesto artístico maduro, carregado de sombra, voz e memória. E Portugal foi testemunha privilegiada desta nova encarnação.





















































































































































































