Os Democrash lançaram o seu último CD na passada 6ª feira no Village Underground em Lisboa. Uma sala bem composta, com amigos, familiares e fãs desta banda que, por sinal, já andam a dignificar o Rock ‘n’ Roll desde 2014. Mesmo com as apresentações tardias do quinteto, a sequência do álbum Propelled by Gas from Cans of soda foi completa e tão divertida quanto o próprio título! Sons de várias influências que depois de filtrados, resultaram num conjunto de músicas com identidade, oiça-se “Going up coming Down”, “(I Could be on) Television” (single de lançamento) ou “Too Much Dancing”.

O saxofone, presente em quase todos os temas e que, apesar da influência sonora que demarca nas melodias, procurou entrar e sair sem grandes exageros de distorção sonora, conseguindo criar muitas vezes o ritmo da música. A diversidade de instrumentos que o Vitor vai intercalando com o de sopro, como o tambor ou a pandeireta, provocou bastante dinâmica ao longo da atuação. Para já não falar dos acessórios de palco que o vocalista (Octávio) utilizou na sua tão oportuna performance! Colete de plumas brancas, revolver, a clérgima (ou colarinho clerical, numa voz pausada e em jeito de sermão), óculos com luzes nas extremidades (“Too Much Dancing”), até um megafone (“No God in the West”) a fazer lembrar o vento deambulante entre os catos dos desertos americanos.

O ritmo do concerto foi consonante com a energia do público que, entre músicas, lá mandava umas larachas de quem os acompanha e os conhece fora do palco, mantendo um ambiente bastante familiar. Com pouco espaço para grandes conversas com o público ou mesmo entre os próprios músicos, os temas entrecruzavam-se entre si e de quando em vez o vocalista fazia uma ou outra apresentação do título, sem contudo, contar alguma curiosidade sobre ele. Exceção do tema em francês (“Le Toit de la Maison”, que soou muito bem) e da “The size of France” que a ele se seguiu. As guitarras por vezes entravam em simultâneo, com o (excelente) baixo sempre numa linha condutora do ritmo e com a bateria, mais isolada, mas muito cúmplice na batida a lembrar um punk rock aligeirado. Influências sonoras anglo-saxónicas, que nos projetaram para os anos dourados das grandes produções do rock, saindo no meio de um acorde aquele cheirinho a Velvet Underground, e até mesmo um som mais dançável dos B52 (desculpem-me aqueles que não concordam nada comigo). Quase duas dezenas de músicas praticamente em continuo e com intervalos muito curtos, que em nada fizeram a voz de Octávio demonstrar algum cansaço ou um esforço exagerado, a vibração limpa e radiofónica esteve sempre presente.

Os Democrash são “uma ganda banda”, que já cruzou fronteiras e já passa nas rádios britânicas, justiça lhes seja feita. Não obstante a qualidade e originalidade dos videoclips a que já nos habituaram, tudo neles soa tão bem que contribuem muito para engradecer o Rock português contemporâneo. E no final da noite, ainda o tema “This is Democrash”, porque “não vamos tocar mais por causa da varíola dos macacos” (ainda por cima têm humor)! A agenda de verão já vai estando preenchida e os nossos vizinhos estremeños irão ter a sorte de os ter por lá.

 

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