Ele, o nada, no seu nadificar, remete-nos justamente para o ente.” – Martin Heidegger, Ser e tempo

“Nada” é o quarto tema do EP de estreia de degelo, que fica agora completo. O primeiro a ser composto é também o último a ser editado. Com um início atmosférico, “Nada” distingue-se pelo seu constante crescendo, culminando num fim tumultuoso e apoteótico com um beat que mistura a estética da electrónica com o hip-hop.

“Nada” começou como uma clara referência a Heidegger. A espiral da desconstrução remete para um nada cada vez mais deserto, um nada que nadifica, que é em si nadificante e que é, por isso, destrutivo. A este ciclo vicioso (que se assemelha, metaforicamente e estruturalmente, a um buraco negro) junta-se a frustração de ver o mundo como uma constante ilusão, que pode a qualquer instante ser quebrada.

No entanto, a composição deste tema dá-se na percepção deste estado como uma ocasião para a criação, uma oportunidade para a invenção de si e, por consequência, do próprio mundo.

“Nada” junta-se assim a “Estrondo”“Apologia” e “Á minha imagem”, o primeiro single que conta com um teledisco no YouTube. Todos os temas estão agora disponíveis nas principais plataformas de streaming.

degelo é um projecto em constante desconstrução. As músicas nascem das letras e composições de Pedro Ruela Berga que procura posteriormente um novo olhar sobre as suas ideias. Para o EP de estreia contou com a colaboração de Pedro Simões (ESCUMALHA, RLGNS) e a masterização de Iuri Landolt (I had plans, Egbo).

Mais informação em facebook.com/degelo.oficial

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