Edward “Ned” Kelly. O homem que se tornaria num dos mais famosos fora-da-lei australianos. Em 1906, teria sido realizada aquela que ficou conhecida como a primeira longa-metragem ficcional da História do Cinema, “The Story of the Ned Kelly Gang”, inspirada na vida desta mítica personagem que transporta uma revolução adiada dentro de si e que hoje, mais de cem anos depois, é recuperada e trazia à cena numa coprodução do teatromosca, da companhia australiana Stone/Castro e do S. Luiz – Teatro Municipal, num espetáculo criado por Pedro Alves, Paulo Castro e o músico Paulo Furtado/The Legendary Tigerman. Aqui tomaremos como ponto(s) de partida a(s) história(s) de Ned Kelly e também documentos cinematográficos, literários e outros, através de processos do teatro documental, para revisitar a história desta figura icónica, reconhecido mundialmente pelo tiroteio contra a polícia, em que enfrentou, sozinho, cerca de 50 agentes.

(c) Alex Gozblau

Atualmente, num mundo animado pela inovação tecnológica, as linguagens cinematográficas contaminam as artes performativas, e acabam por ruir os impérios dicotómicos que poderiam obstruir a ideia de troca recíproca e trânsito constante entre estes dois meios. É num contexto marcado por uma certa liquidificação das fronteiras entre disciplinas artísticas que o teatromosca e a Stone/Castro procuram ainda apagar distâncias entre dois países, criando um espetáculo que se ocupa tanto em reencenar as imagens sobreviventes (apenas 17 minutos, de uma obra que teria uma duração aproximada de 60 minutos) da longa-metragem de 1906, como em (re)construir as cenas perdidas, assumindo os interstícios que vão sendo produzidos no decorrer desse processo de rememoração e (re)invenção operado pelo que pode ser entendido como Teatro Documental.

Ned Kelly” chegará aos palcos nacionais dia 17 de novembro, pelas 21h, no AMAS – Auditório Municipal António Silva. O espetáculo conta ainda com uma digressão prevista ainda em digressão, no mês de novembro, apresentando-se dia 19 no Cineteatro Municipal de Serpa, dia 21 no CAPa – Centro de Artes Performativas do Algarve e a 27 no Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, e em abril de 2021, no S. Luiz – Teatro Municipal.

Mais informação em facebook.com/teatromosca

Fotografia (capa) – Catarina Lobo

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