Os norte-americanos Vampire Weekend encerraram a sua digressão europeia em Lisboa, e encheram o Coliseu dos Recreios. Father of the Brige, quarto álbum de originais e editado já este ano, foi o motivo do regresso da banda de Ezra Koening a Portugal. Uma passagem pelo palco NOS Alive no verão passado, mas essa actuação não lhes encheu tanto as medidas como este concerto em nome próprio na passada semana. Um alinhamento de quase 30 músicas, deixando espaço no encore para tocaram o que o público quis ouvir, num género de “discos pedidos”. Uma relação simbiótica entre a banda e os fãs, em que estes ficaram rendidos e de “barriga cheia” com mais de meia dúzia de boas canções.

A primeira parte foi preenchida pelos dinamarqueses Liss, que presenciaram o encher da sala até à sua lotação. Um indie-pop composto por músicas que pouco surpreenderam o público, mas que também não o aborreceram. A ansiedade era muita e aquelas centenas de pessoas que correram para a frente do palco para verem os Vampire Weekend, deram.lhes o benefício da dúvida.

Um cenário igual à imagem do álbum, com um globo gigante suspenso sobre o palco que girava e se iluminava de verde e azul, conferindo-lhe amplitude suficiente para nos parecer imenso e perfeito. As duas baterias, uma delas totalmente recheada de todo o tipo de instrumentos de percussão, preencheram a parte traseira do palco e estavam alinhadas com as teclas do único elemento feminino da banda (Greta Morgan) e também com as de Will Canzoneri (piano). A música dos Vampire Weekend não é de identificação imediata, ou seja, a complexidade das sonoridades de cada música não permite colocar-lhes um único rótulo. Apesar do indie-rock poder estar nas suas origens, aquelas guitarras conseguem emitir sons tão diversos que por vezes se assemelham (quase) a flautas, e provocando vontade de dançar aos saltinhos. Quando o piano se exibe pelas mãos magnificas de Will Canzoneri, poderão entrar num outro registo muito mais perto de melodias mais nostálgicas e introspectivas (barroque-pop).

Desde o inicio do concerto que a escolha das músicas estimulou uma dança constante no público. “Holiday” (Contra, 2010) e “Bambina” (Father of the Brige, 2019saíram logo de rompante, fazendo a grande festa no Coliseu que só terminaria duas horas depois. Os Vampire Weekend são aquela banda que espalha alegria em todos os momentos. Sentimos uma felicidade genuína naquela música, naquelas vozes (na dualidade do tom vocal de Ezra) e naqueles ritmos que percorrem continentes no planeta terra que esteve no palco e que não parou de girar. Um dueto das guitarras, de Ezra Koening e de Chris Baio, na cumplicidade do bonito tema “Set” (Modern Vampires of the City, 2013) deixou-nos num consolo feliz. Ezra não se cansou de dizer que tinha muitas músicas que nunca tocou em Lisboa e que iria tocar nesta noite, e foi o caso de “Jonathan Low” da banda sonora da série Twilight. 

O single do último álbum, “This life”, fora também um dos momentos mais animados da noite estando o público, já nesta altura, totalmente em extâse e a sala a transbordar de calor. Muitas músicas seguiram, como “Cousin” (Contra, 2010), provavelmente das melhores músicas dos Vampire Weekend, onde o incrível dedilhar da guitarra de Erzra Koening se prolongou até perdermos as forças.

Um encore prolongado que fez parecer que a banda de Nova Yorque só iria sair daquele palco quando o público não aguentasse mais de tanto pular. Ezra perguntava ao público o que queria ouvir mais, enquanto lia os cartazes exibidos pelos fãs nas filas da frente. Já passavam duas horas de concerto, quando “Worship You” e “Ya He” (Modern Vampires of the City) pareciam ir encerrar a festa, mas foi ao som das teclas de Greta Morgan, e da contagiante alegria do tema “Walcott” (Contra) que os Vampire Weekend decidiram dar por terminado este estrondoso concerto!

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