Recuando ao passado dia 15 de novembro, assistimos ao renovar dos votos de amizade, afecto e devoção pela banda O Terno, que estiveram de passagem por Portugal com atuações tanto em Lisboa como em Braga. O atrás/além é o cartão de visita dos amigos paulistanos, que foram acolhidos por um Capitólio cheio para cantar temas da banda de Tim Bernardes e companhia.

Para começar a escrever sobre este concerto ainda é preciso recuar uns meses antes, até setembro, quando na sua passagem a solo, Tim Bernardes partilhou que gostava de voltar em breve a Lisboa, mas desta vez acompanhado dos seus amigos. Foi um pequeno indício que semanas mais tarde se se confirmou. O Terno de volta a Portugal. Depois de terem vindo ao Porto participar no NOS Primavera Sound, e depois de terem atuado no Rock In Rio com os Capitão Fausto, Tim BernardesGabriel Basile e Guilherme D’Almeida estavam de volta aos palcos de Lisboa para começar mais uma página de uma história bonita que tem sido construída ao longo dos últimos anos.

Quem pensa que O Terno é um segredo bem guardado do Brasil, desengana-se. Tim Bernardes por exemplo já fez a primeira parte do concerto de Los Hermanos, no Maracanã, no Rio de Janeiro. Os próprios Terno já tocaram no Rock in Rio, mas também no Lollapalloza, dos maiores festivais da América Latina. E isso faz naturalmente influenciar na popularidade e dimensão da banda, tendo como exemplo o preço alto do bilhete, mas que não foi motivo para afastar os mais devotos fãs.

E o foco da noite estava naturalmente criado para chamar à atenção do trio. Vestidos de branco, mesmo a encarnar a capa do álbum mais recente, Tim Bernardes deu o mote com “Tudo o Que Não Fiz“. Uma coisa que identifica claramente este novo álbum é que é uma reflexão clara dos jovens dos dias de hoje. Sobre as relações, o trabalho, a própria vida e todas as dicotomias que ela apresenta. O Pegando Leve, que explora a pressão que recai sobre nós no dia-a-dia, o atrás/além e o nada/tudo que são muito diretos nos títulos, são os primeiros motes para contar uma história que está perfeitamente identificada por qualquer um dos ali presentes.

É interessante ver a maestria e a dinâmica de Tim seja ao piano, seja na guitarra. Durante a noite o palco do Capitólio quase que vira um estúdio em que o trio está sentado e começa a tocar temas como A História mais velha do Mundo, Volta e Meia, que não tem o Devendra Banhart, mas tem os efeitos sonoros e o violino feitos “pelo inconsciente do Biel”. E vamos assim continuando uma viagem muito bonita, sempre com várias intervenções do lider da banda, que é um verdadeiro entertainer. São poucos que conseguem por tão à vontade o público como ele.

O público, esse, vai cantando as letras conforme sabe. Pra Sempre Será, Ai, Ai Como Eu Me Iludo, ou até o Bielzinho/Bielzinho, por exemplo, revelam que os cerca 8000 km que separam Lisboa de São Paulo não são nada. Que quando as palavras têm valor, importância e significado, não há mar que crie fronteiras.

Ainda para mais quando surgem grandes temas como o Culpa e o Volta, temas que já se consagraram no reportório da banda, que com toda a certeza serão eternizados ao longo dos concertos que hão-de vir.

Num concerto que cerca de duas horas tiveram a sensação de uma só, o fim chegou rapidamente, o passado/futuro e o E no final. Mas claro que veio o sempre muito aclamado bis ou como se diz neste lado do Atlântico, encore. “Vocês podem sugerir temas para tocarmos. Vamos fingir que nós não escolhemos já“. Pois claro, a cover deUm Sonhador, da dupla Leandro & Leonardo, já estava decidida para abrir espaço para o Melhor do Que Parece. Terminar um espectáculo com um tema com este título, até parece uma falácia, porque foi exatamente aquilo que esperávamos. O melhor do melhor. As juras de amor continuam e agora conhecerão próximos capítulos no próximo ano.

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