Um tornado? Uma tempestade? Não, The Roots apareceram no Hipódromo Manuel Cassolo para rebentar tudo, naquele que foi o primeiro dia do EDP Cool Jazz. A verdade é que até ao início do concerto a incerteza era grande, dada a tentativa frustrada dos HMB fazerem a primeira parte.

Convidados a abrir para The Roots, os HMB viram as suas hipóteses de fazer um concerto anuladas por três vezes, devido a falhas de energia. Nesta ironia do festival patrocinado pela EDP, estas falhas e insistências fizeram com que o concerto de The Roots começasse um pouco atrasado (e pouco depois, nas stories de Questlove, percebeu-se que o guitarrista Kirk Douglas estava atrasado, a 4 minutos de carro, antes de entrarem em palco) e num clima de incerteza e insuspeição.

Rapidamente desfeitas pela intensidade e velocidade que Ahmir Questlove, Black Thought e companhia entraram em palco sem meias medidas. Antes da banda entrar em cena, tivemos uma espécie de warmup feito por Johnny Ellis que colocou o público imediatamente de pé (as cadeiras na verdade foram um estorvo ao longo de toda a noite) e preparou-nos para aquela que foi uma noite com uma lição de história do hip-hop norte-americano.

Com mais anos de estrada dos que os de vida deste que vos escreve, The Roots cimentaram a sua importância no hip-hop norte-americano ao longo destes anos, e Tariq, ou Black Thought como é conhecido, mostrou-nos o porquê que ser um dos melhores MCs que existe. Ao longo de duas horas incendiou Cascais sem pausa nem necessidade de pedir licença, com uma banda que se mostra multifacetada. Com conjunto de sopros, teclas, guitarra, baixo e ainda percussão, o conjunto de Filadélfia é quem manda ali no palco e da plateia só nos resta apreciar e aplaudir.

Aplaudir no The Next Movement, no Conception, no Think Twice… tudo isto antes de embarcarmos numa viagem pela história do hip-hop norte-americano. Viagem essa que fez escala por vários temas consagrados tanto nos anos 90 como na atualidade, passando por C.R.E.A.M. dos Wu-Tang Clan, Milly, do Lil’ Wayne, mas também um inesperado Old Town Road, do Lil’ Nas X.

Mas The Roots, como referido, são uma banda que atravessa géneros, influências, algo que também os caracteriza no Late Night do Jimmy Fallon (mas em muito redutor do que são enquanto banda e a preponderância que têm para a música). Por isso é que seguimos viagem com o You Got Me, que mesmo sem a Erikah Badu, encanta. Ou ainda o The Seed 2.0. tema que mesmo com quase 20 anos, ainda é uma das caras da banda.

Soul Power, more Power to the People!” Uma frase marcante que Black Thought que se despediu envolto em despedidas do recinto e com missão de dever cumprido. E nós completamente arrasados pelo que acabamos por assistir.

Deixa um comentário