É já esta quinta-feira que se dá o arranque dos grandes festivais de Verão e, como já manda a tradição, o pontapé de saída faz-se pelo Porto, mais concretamente no Parque da Cidade: o NOS Primavera Sound.

Com o passar do tempo, o irmão mais novo do Primavera Sound de Barcelona tem conquistado o público português (e não só) com o seu cartaz rico e eclético, e 2019 não será exceção. Aliás, para este ano, a organização decidiu apostar forte nas sonoridades urbanas, recrutando nomes como J Balvin ou Solange como principais representantes de reggaeton e soul nesta edição, que se juntam às dezenas de outros estilos que marcam presença no NOS Primavera Sound.

A diversidade sempre marcou o festival do Parque da Cidade, e o cartaz deste ano assim o demonstra. Como tal, a Música em DX elabora uma lista com nove concertos diferentes – três por cada dia – que, na nossa humilde opinião enquanto apaixonados por música, serão alguns dos momentos mais marcantes de uma edição que se prevê como sendo de sucesso.

DIA 6 DE JUNHO

JARV IS (Palco Seat, 21h)

Nos tempos áureos do britpop, quatro bandas revolucionaram a forma como a música era vista nas terras de sua majestade: Oasis, Blur, Suede e os Pulp. Estes últimos, liderados pelo carismático Jarvis Cocker, podem não ter resistido com o passar do tempo, mas o amor pela banda de “Common People” permanece intacto.

Não conseguindo estar afastados dos palcos, Cockcer vem ao NOS Primavera Sound apresentar o seu novo projeto, JARV IS. Inicialmente idealizado como uma tournée intimista por algumas salas do Reino Unido, o salto para os grandes palcos fez-se no Primavera Sound de Barcelona, repetindo-se a dose agora no Porto.

“Must I Evolve?”, single de apresentação de JARV IS, teve desde o primeiro momento a nossa total curiosidade. Agora, no dia 6, a curiosidade passará a atenção. Claro que nas mãos do nosso estimado Jarvis Cocker, temos a certeza que ficaremos bem entregues.

DANNY BROWN (Palco NOS, 22h20)

O hip-hop sempre foi uma parte essencial do NOS Primavera Sound; a estreia em Portugal de Kendrick Lamar assim o confirma. Para este ano, a oferta mantém-se rica e diversa, mas grande parte das atenções recaem em Danny Brown, um dos mais sonantes artistas dentro do estilo nestes últimos tempos.

Artista versátil e experimentalista, a criatividade do rapper há muito que lhe tem valido rompidos elogios, especialmente com o lançamento de XXX. Juntando o melhor dos dois mundos, isto é, a entrega nas rimas e a criação de sonoridades eletrizantes, Brown afirma-se a pés juntos como um dos nomes mais fascinantes a surgir na bolha do hip hop.

Ainda sem uma data de lançamento concreta, sabe-se que U Know What I’m Sayin? sairá ainda este ano. Quem sabe se o NOS Primavera Sound não será palco para umas quantas estreias de material novo ao vivo…

YAEJI (Palco Primavera Bits, 3h)

E se, em plena discoteca, uma canção intercalasse entre o inglês e o coreano, mas mantivesse a contagiante sede de dança que é característica ao house? Desde 2016 que Yaeji distribui cartas neste meio, tendo já se tornado num nome a ter em conta.

Fruto de uma geração cibernauta, foi através da Internet que aprendeu tudo o que sabe sobre a arte de DJing, e se no início tudo começou como um mero hobby, rapidamente se tornou num trabalho a tempo inteiro. Apesar se ainda só contar com dois EPs na bagagem, ambos são claros exemplos de como Yaeji consegue juntar o seu passado universitário ligado às artes com a sua música.

Coube a Yaeji o slot término do dia 6 do NOS Primavera Sound, no dançável palco Primavera Bits. Deduzindo-se que no primeiro dia do festival as energias do público vão estar perto do máximo, terminar a noite ao som da coreana é quase como uma paragem obrigatória.

DIA 7 DE JUNHO

SONS OF KEMET (Palco Pull & Bear, 20h20)

Há uma magia difícil de explicar que existe no jazz. À primeira escuta, atribui-se a culpa à sensação de liberdade que existe no estilo, ou não se ouvissem todo um cardápio de notas no espaço de segundos, saboreando-se cada uma como se fosse a última.

Os Sons of Kemet são uma das bandas que atualmente distribuem cartas por entre o mundo do jazz, mexendo e incorporando o seu cunho pessoal num estilo que nunca foi recetivo à mudança. Misturando influências africanas na sua sonoridade, o grupo britânico tem causado burburinho aos ouvidos da crítica, tendo inclusive sido nomeado para o prestigioso Mercury Prize Award, o ano passado.

Dotados de uma capacidade natural em produzir festança por onde quer que passem, advinha-se que o pôr-do-sol mais flamejante ao longo dos três dias do festival do Porto seja na companhia dos Sons of Kemet, ou não se apresentassem em formato XL, que é como quem diz, com 4 (!) baterias em palco. Venha a festa.

INTERPOL (Palco Seat, 23h45)

Sérios repetentes do Primavera Sound de Barcelona, mas ainda a caminho do segundo encontro com o do Porto, os Interpol são uma das grandes atrações para dia 7, garantindo-se enchente pelo Palco Seat no pós-J Balvin, ou não repartissem o estatuto de headliner com o colombiano.

Apesar de Marauder, lançado o ano passado, ter marcado o regresso do tripleto nova-iorquino aos álbuns, a actual vida de estrada dos Interpol tem sido feita através de reminiscências do passado, com os excelentes Turn On the Bright Lights e Antics a dominar as mais recentes setlists. “PDA”, “Obstacle 1” ou “Evil” são apenas alguns dos êxitos que certamente farão parte da noite.

As previsões para o dia 7 de Junho apontam para leves aguaceiros e a revisão por clássicos de uma carreira com já 20 anos. Haverá ambiente mais propício para se imergir no post-punk dos Interpol?

JAMES BLAKE (Palco NOS, 1h)

Electrónica com trechos de melancolia e introspeção. A fórmula de James Blake sempre foi assim, e em equipa ganhadora não se mexe: quatro discos, quatro sucessos. Mantendo a tradição de festival, o britânico está de regresso ao nosso país para apresentar o seu mais recente trabalho, Assume Form.

Ao contrário dos seus trabalhos anteriores, Assume Form é todo ele uma carta de amor à namorada de Blake, Jameela Jamil. Como tal, nunca antes se teve uma sonoridade de James Blake tão otimista e romântica, sendo por isso o seu trabalho de mais fácil apreço e relacionável, factos vitais quando é apresentado num palco que foge aos ambientes intimistas ideais para um concerto seu.

No auge da sua criatividade, Blake recrutou Travis Scott, André 3000 (Outkast) e Rosalía para o seu mais recente, o que só por si explica a acessibilidade de Assume Form em chegar às massas. Fechando o Palco NOS no dia 7 do NOS Primavera Sound, está-se perante um teste às capacidades de James Blake de se afirmar como um verdadeiro cabeça de cartaz, isto depois do primeiro teste em Paredes de Coura, em 2014.

DIA 8 DE JUNHO

O TERNO (Palco Seat, 17h)

O tempo em que se dedicavam apenas a tocar versões de The Beatles, The Kinks e Os Mutantes já lá vai. Desde então, O Terno lançaram o seu primeiro disco em 2012 e desde então que se tornaram numa das referências da nova música brasileira. Coisa pouca, portanto.

Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Gabriel Bisele não são rock nem são indie, mas também não são psicadélicos ou tropicais; são apenas três tipos de São Paulo que criaram um dos mais interessantes reportórios brasileiros dos últimos tempos. Para além de umas quantas palavrinhas bonitas por parte da Rolling Stone, já subiram ao palco do Lollapalooza. Ah, e também criaram um editoria, a RISCO. Novamente, coisa pouca.

Curiosamente, dos três dias do NOS Primavera Sound, apenas não existe previsão de aguaceiros para o último, dia em que os ritmos brasileiros de O Terno aterram no Parque da Cidade para apresentar atrás/além. Será só uma feliz coincidência?

ROSALÍA (Palco NOS, 22h10)

Vive-se numa altura em que as barreiras linguísticas estão lentamente a ser quebradas; a música inglesa já não tem a predominância global de outrora. Um dos nomes que certamente contribuirá para ‘esta’ expansão é o de Rosalía.

El Mal Querer, lançado o ano passado, tomou o mundo de assalto, sendo considerado por diversos meios como um dos melhores discos de 2018. O flamenco, estilo cuja raiz oriunda de Espanha, nunca conquistou o seu lugar como um registo para as massas, mas com o surgimento de Rosalía, essa tendência pode mesmo vir a inverter-se, ou não estivesse a espanhola a juntar o flamenco com a pop.

Dotada de uma sonoridade verdadeiramente única, que já lhe valeram colaborações com J Balvin e James Blake, o regresso a Portugal – em 2017 estreou-se no Theatro Circo, em Braga – de Rosalía faz-se no último dia do NOS Primavera Sound, e logo como um dos nomes com maior destaque no cartaz. Chegou a altura de se perceber, ao vivo e a cores, o porquê da espanhola estar lentamente a conquistar o seu lugar no mundo.

KATE TEMPEST (Palco Seat, 22h30)

O próprio nome de Kate Tempest resume na perfeição a música da britânica: uma tempestade. No olho desta, a britânica dispara para todos os lados, cuspindo versos de uma poesia incendiária a uma velocidade estonteante.

Para além de dar voz à classe trabalhadora da Grã-Bretanha do Brexit, não se encontra consenso naquilo que Kate Tempest apresenta: será spoken word ou rap? Quiçá um misto de ambos? A união feita entre literatura e beats de rua tornou-a numa das artistas mais singelas dos últimos tempos, com ambos Everybody Down e Let Them Eat Chaos a serem nomeados para o Mercury Prize Award; nenhum ganhou, mas ninguém lhes ficou indiferente.

Em 2017, Kate Tempest apresentou-se no Vodafone Paredes de Coura a um público que pouco ou nada conhecia do seu trabalho. Curiosamente, chegou, triunfou e foi aplaudida como um dos melhores concertos nessa edição do festival. Quem diz que a história não se repetirá pelo NOS Primavera Sound?

Podes acompanhar as nossas reportagens no nosso website em festivais/nos-primavera-sound/nps-2019/

+info em www.nosprimaverasound.com

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