No frio do Canadá, mais especificamente em Montreal, Quebac, reside uma pequena labareda que dá pelo nome de Paul Jacobs. Com um garage rock de ritmo alucinante, carregado de fuzz até às entranhas, estamos perante um dos projetos mais entusiasmantes a surgir nestes últimos tempos na terra dos alces.

Reunindo o melhor que se pratica no garage rock nos dias de hoje, mas não esquecendo as referências dos anos 60, como os The Sonics, Paul Jacobs prepara-se para tomar o mundo de assalto, e Portugal constará nesses planos, com concertos agendados hoje no Maus Hábitos (Porto) e no dia seguinte na Galeria Zé dos Bois (Lisboa).

Numa troca de palavras via e-mail, a Música em DX teve a oportunidade de falar com o músico com a finalidade de o conhecer um pouco melhor e tentar perceber o alarido que faz com Paul Jacobs tenha tido o seu disco Pictures, Movies & Apartments a ser indicado como “Álbum Garage Rock do Ano” pelo prestigiado jornal britânico The Guardian.

Música em DX – Em poucas palavras, como é que resumirias a história de Paul Jacobs para os nossos leitores que ainda não te conhecem? 

Paul Jacobs – Sou um tipo que gosta de fazer coisas nas quais me possa perder em.

MDX – Poderias nomear algumas das tuas referências enquanto músico? 

P.J. – Quando era miúdo, ouvia tudo o que eram clássicos. Já enquanto adolescente, era tudo o que fosse punk e oriundos. Agora, a nível de começar a escrever canções, diria que o Cass McCombs desempenhou um grande papel; adoro a forma com que ele faz com que a sua música soe de forma tão sincera.

MDX – Pelo que sei, o primeiro instrumento que aprendeste a tocar foi bateria, apesar de atualmente tocares de tudo um pouco. Dirias que é atrás de uma bateria que te sentes mais confortável?

P.J. – Se participasse numa jam com algum pessoal, o lugar que eu quereria seria atrás de uma bateria, sim.

MDX – Já passou algum tempo desde os teus tempos enquanto one man band. Porque é que recrutaste uma banda para te acompanhar? 

P.J. – Com a complexidade deste novo disco, precisava de uma banda que me ajudasse a que este ganhasse vida quando tocado ao vivo.

MDX – Nos primórdios, eras tu quem gravava todos os instrumentos nos teus discos. Com a inclusão da banda, deduzo que te tenham ajudado, não? 

P.J. – Não, tal como os anteriores, fi-lo todo sozinho em minha casa.

MDX – 2016, 2017 e 2018: I’m Into What You Are Into, Pictures Movies & Apartments e agora Easy. Três discos em três anos é de louvar! Não haverão três sem quatro?

P.J. – Sim, já comecei a escrever coisas para o próximo disco, mas preciso de mais algum tempo de forma a torná-lo diferente dos anteriores.

MDX – Com todos estes lançamentos, é-te difícil conciliar a vida de estrada com a de estúdio? 

P.J. – Sim, mas imagina só se pelo meio acrescentares um trabalho a tempo inteiro. Todavia, tocar ao vivo facilita imenso o aparecimento de novas ideias de escrita, na tinha opinião.

MDX – Ao longo de uma tournée, tens tendência em escrever novas canções ou preferes trancar-te em casa até que essas surjam? 

P.J. – Quando estou em estrada, levo sempre comigo um caderno em branco para escrever e desenhar, e se tiver algum ideia, vai directamente para aí. Não sou muito de forçar ideias. Curiosamente, sou uma pessoa que consegue reter as suas ideias durante imenso tempo na cabeça.

MDX – Relativamente ao teu novo disco, Easy, considera-lo uma enorme evolução perante os anteriores? Mais ousado? 

P.J. – Eu considero que cada um dos meus discos acaba por melhorar em relação a um anterior, e isso acaba por ser um dos meus objetivos. Visto que quem os grava sou eu, vou aprendendo novos truques com o passar de cada disco, e isso fazer com que a experiência se vá tornando mais fácil.

MDX – Os teus concertos são conhecidos pela sua energia e adrenalina. Dirias que, ao pisares um palco, mudas por completo ou quem está ali é o verdadeiro Paul Jacobs, sem tirar nem pôr?

P.J. – Sim, muitas das vezes estou cansado para caraças, mas mal entro em palco e a banda começa a tocar, é-me impossível não me deixar levar e dar tudo o que tenho para dar durante aquela hora.

MDX – Esta semana, irás tocar por Portugal, em Lisboa e no Porto. Quais as tuas expectativas para estes concertos? Olha que o público português consegue ser bem louco e entusiasta como tu…

P.J. – Isso é a melhor coisa que eu podia ouvir! Por acaso, sempre quis visitar Portugal ao longo da minha vida, portanto estou muito entusiasmado para a ocasião.

MDX – Não tenho mais perguntas. Gostarias de acrescentar mais alguma coisa?

P.J. – Espero que gostem dos nossos concertos e que nos voltem a ter cá por mais algumas vezes!

Com Elephant Maze a cobrir a primeira parte no Maus Hábitos e os Fugly encarregues da abertura de portas pela Galeria Zé dos Bois, argumentos não faltam para acolher a estreia em absoluto de Paul Jacobs por Portugal. Quem se quer juntar para cumprir o desejo do senhor em gostar dos seus concertos para o termos a tocar por cá mais vezes?

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