Em véspera da apresentação do novo álbum de Scott MatthewOde to Others, editado no passado mês de Abril pela Glitterhouse Records, quisemos saber um pouco mais sobre o disco, Nova Yorque e “Santarém”. O músico australiano esteve em Lisboa em nome próprio em Abril de 2016, a promover o melancólico This Here Defeat. No âmbito da 8ª edição do Misty fest, Scott Matthew está em Portugal para quatro concertos em quatro cidades, Porto, Coimbra, Braga e Lisboa. Conhecido por fazer magnificas versões de grandes canções, também Ode to Others conta com “Do You Really Want to Hurt Me” dos ingleses Culture Club. Apesar de gostar muito de Portugal, quando alguém lhe colocou a questão sobre a possibilidade de viver em terras lusas, refutou a ideia justificando a dificuldade da língua. O músico esteve na cidade ribatejana de Santarém, inspirou-se na sua tranquilidade e compôs uma canção que se encontra meio perdida neste álbum. Dia 4 de Novembro estaremos com ele em Lisboa no Tivoli BBVA, para uma noite intensa e intimista.

Música em DX (MDX) – Vives em Nova York há mais de vinte anos, para um anglófilo é uma longa jornada.Que tipo de influências teve a nova música novayorquina na tua própria música?

Scott Matthew – Para ser sincero, não acho que Nova York tenha influenciado diretamente a minha composição. Quando me mudei para lá senti-me seguro em ser eu próprio, e por sua vez poder escrever músicas sobre a minha verdade, então dessa forma sim talvez me tenha influenciado. A maioria das minhas influências são do Reino Unido quando era adolescente, o que é estranho ter acabado na América.

MDX – Ode to Others é diferente do This Here Defeat, o último álbum. “Happy End ”é uma composição instrumental completa, como uma orquestra. Com os conturbados processos sociais em todo o mundo, quiseste dar-nos alguma esperança?

Scott Matthew – Decidi que o conceito deste álbum seria diferente, queria experimentar escrever músicas que NÃO se referiam ao amor “romântico”. Sou geralmente conhecido por escrever sobre desgosto e amor, mas em vez disso estas músicas são dedicadas a amigos, parentes ou lugares que eu adoro. De certa forma, elas ainda são canções de amor, por exemplo para o meu pai, para Nova York. Por causa desses temas, o álbum ficou um pouco mais brilhante (embora não completamente. Continuo a adorar a melancolia).

MDX – Fala-nos sobre a tua banda. Vamos ver os mesmos músicos nesta tour? Existem mais instrumentos de cordas?

Scott Matthew – Os meus queridos amigos, que são os meus músicos, estarão comigo novamente. O meu pianista voltou a trabalhar comigo, já tinha estado nos meus dois primeiros álbuns. O line-up é o mesmo. Guitarras, ukulele, piano e violoncelo.

MDX – Sabemos que vocês são amigos há muito tempo. Todos eles tiveram uma influência directa no processo de composição do álbum?

Scott Matthew – Sim. Ao longo da composição dos meus álbuns, todos eles tiveram influência em determinado momento, nos arranjos ou na composição. O mais recente álbum Ode To Others foi produzido pelo meu amigo Juergen Stark que não pode fazer esta tour connosco, mas o Gary Langol está a tocar as guitarras e também tocou piano e fez alguns arranjos para o álbum.

MDX – Para uma pessoa que vive numa grande cidade como NYC, o que te inspirou numa cidade pequena do interior de Portugal como “Santarém”?

Scott Matthew – Eu estava num estado de sonho enquanto estava em Santarém. Foi a primeira vez que viajei em Portugal sozinho e não estava em turnê. Tive uma semana de folga entre os concertos com o Rodrigo Leão e decidi fazer um passeio de comboio para visitar Santarém e ainda bem que o fiz. Era tão pacífico e tranquilo que são sentimentos que geralmente não tenho em NYC, e anseio por isso cada vez mais. A beleza desbotada da cidade inspirou.me a escrever um poema que o transformei numa musiquinha com o meu guitarrista.

MDX – Tentamos saber quantas vezes tocaste em Portugal nos últimos 3 anos, mas não conseguimos … Nesta turnê tens quatro concertos pelo país, Porto,Braga, Coimbra e Lisboa. Quais são as tuas expectativas? Já conheces todas essas cidades?

Scott Matthew – Conheço melhor Lisboa que os outros sítios, porque é o lugar onde trabalhei mais com o Rodrigo Leão. Os outros lugares visitei em turnê, mas infelizmente não tive tempo para ver muito. Tive a sorte de conhecer uma vez a antiga universidade de Coimbra e fiquei com um enorme desejo de ver mais. Portugal é um lugar incrivelmente bonito.

MDX – O que podemos esperar destes concertos?

Scott Matthew – Haverá uma mistura de emoções, da alegria à melancolia. Eu acho importante manter o equilíbrio entre as duas. Tocaremos as músicas do Ode To Others e as músicas mais antigas e alguns covers, um deles envolve uma música longa. Estou ansioso para lá estar.

Entrevista (capa) – Luis Sousa

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