Era quinta-feira, dia de semana, mas nem isso nem o mau tempo impediram as pessoas de sair de casa para ir até ao Cineteatro Capitólio e ver a diva que é Beth Ditto. E se pelo nome há quem não saiba de quem falamos, talvez se disser que se trata da ex-vocalista de Gossip, fiquem mais esclarecidos.

Ao entrar na sala de concertos, deparávamos-nos com uma banca cheia de merchandising de Beth Ditto, mas não seria ela a única atuação da noite. Para a primeira parte estava previsto entrar em palco Kiddy Smile, contudo, e por motivos de doença, teve de cancelar sendo Fado Bicha quem o substituiu e bem. De capa arco-íris, cabelo verde e batom nos lábios, Lila, fadista, subiu ao palco acompanhada de João Caçador, que trazia consigo uma guitarra eléctrica e o corpo pintado. Através da adaptação de fados tradicionais, ambos mostraram ao público, de forma totalmente genuína, alguns dilemas e a importância da comunidade LGBT+. O sorriso dos dois artistas era humilde e notório, e entre músicas Lila revelou ao público felicidade não só por estarem a tocar no Capitólio, mas como de estarem também a fazer a primeira parte de Beth. Começaram com “Meu amor marinheiro”, e passaram por outros temas como “De costas voltadas”, “Crónica do macho discreto” e “Marcha do orgulho”, que veio mesmo a tempo, uma vez que Junho é o mês do orgulho da comunidade que estavam a representar. Com canções mais e menos intensas, o certo é que os dois membros de Fado Bicha colocaram o público solto e a bater palmas, mostrando não só a sua satisfação para com a música mas também o apoio e aceitação perante os seus valores.

Pouco depois das 22:30 da noite, entra em palco a esperada Beth Ditto e restante banda, composta por Teddy Kwo (baixo), Kelly Appleton (guitarra), Allei Alvarado (teclas e voz) e Jay (bateria). Com muito boa energia e sempre bem disposta, a voz aguda e potente de Beth rapidamente levou o público ao delírio. Fake Sugar, o seu álbum de estreia a solo, foi lançado faz agora um ano, mas isso não fez com que as músicas soassem menos frescas e energéticas do que se tivesse sido lançado ontem. Na verdade, a última vez que a cantora esteve em Portugal, segundo ela, foi há 8 anos atrás, ainda com a sua antiga banda, e talvez por isso os seus fãs estivessem tão radiantes. De notar que a sala de concertos, apesar de não estar cheia, era como se estivesse, levando mesmo a banda a dizer que Lisboa foi o público mais carinhoso e simpático para o qual tocaram desde o início da tour. A roçar um pouco no soul pop e no indie, e com uma atmosfera incrivelmente dançável, a cantora oriunda de Portland cantou temas como “In And Out“, “Oo La La” e até mesmo a mais berrante “Oh My God“, que se pode aplicar ao facto de na fila da frente haverem fãs que vieram de França de propósito. Sempre interactiva e engraçada, Beth fazia questão de dizer “obrigada” no fim de cada música, e de tentar dizer outras coisas em português como por exemplo “mais batatas”, uma piada que durou o concerto todo. A ligação com o público foi grande e a felicidade das pessoas sentia-se no ar. Para terminar, e porque para o fim fica sempre o melhor, ouviu-se “Heavy Cross“, a música mais conhecida de Gossip, que tal como as que foram tocadas anteriormente, causou um histerismo geral.

Fotografia – Ana Pereira
Texto – Luisa Pereira