A Pensão Amor, Cais do Sodré, preparava-se para receber dois dos concertos mais aguardados da semana. Se as mesas cedo se achavam preenchidas – de pessoas e copos de vinho – vários foram também aqueles que se começaram a sentar no chão. Oferecendo, assim, um ambiente acolhedor e muito propício ao estilo musical dos protagonistas que naquela noite viriam a subir ao palco: Ellie Ford e Time For T.

Ellie Ford, cantautora Britânica, foi responsável pelas honras da noite. Beneficiando do seu timbre apurado e dócil, distribuiu o seu folk pela plateia com considerável mestria. Percorrendo The Other Sun, o seu álbum de estreia, Ford deixa escapar influências que vão de Bob Dylan a Laura Marling, passando por Nico. O público deixou-se embalar por uma mão cheia de melodias harmoniosas, sendo que a estreia da artista de Brighton em Portugal foi um bom tónico para o concerto que se seguia.

O concerto de Time For T encaminhou consigo tantas expectativas quanto pessoas, o que proporcionou uma densidade populacional bastante superior à capacidade da sala, nada que inquietasse demasiado todos aqueles que se acotovelavam por uma melhor perspetiva do palco. Tudo se amenizou quando o Frontman Tiago Saga interpretou temas como Wax, Maria ou Ronda, foi, no entanto, o reconhecido tema Phone Sex que me levou a escrever nas folhas: movimentos de anca e amiúdes sorrisos apoderaram-se da plateia.

Tom Tom, música sobre uma viagem e um GPS, e Sleepwalks foram dois bons momentos da noite, em que os Time for T conseguiram ostentar, de uma forma muito hábil, as influências bebidas do Rock Tropical. Os músicos pediram aos presentes para se abraçarem, e receberam um público enlaçado a cantarolar Free Hugs: sem dúvida um dos momentos mais marcantes de todo o concerto. Percorrendo tanto o seu EP homónimo e Hoping Something Anything, o LP, seguiram-se com Long Way Home, Johnny e Long Day Home, onde o público demonstrou um sentimento coerente ao último nome do bar onde nos encontrávamos.

Percebíamos que o concerto se aproximava do seu términus quando Ellie Ford sobe a Palco para interpretar a Olympics. Os laivos de Indie Folk da Britânica tornaram este tema ainda mais melódico, tendo enorme recetividade junto de um público há muito rendido ao charme lento da banda. Hopping Something Anything, último som do disco, e Tornado, retirado do curta-duração Mongrel, foram responsáveis por terminar um concerto bastante celebrado, onde a entrega do público e da banda foi enérgica e recíproca. Quem assistiu regressou a casa muito satisfeito e à espera do próximo concerto, de preferência numa sala maior.

 

Texto – Tiago Pinho
Fotografia – Ana Pereira