Em Madrid à boleia para Testament

Testament é uma banda de Trash Metal formada em 1983. Inicialmente era conhecida com o nome de Legacy. Durante todos estes anos de activo, a banda sufreu inumeras mudanças no lineup, sendo actualmente constituída pelos guitarrias Eric Peterson e Alex Skolnick, a voz de Chuck Billy, o baterista Gene Hoglan e o baixista Steve Di Giorgio.

O meu contacto com Testament, foi durante os anos 90 com o álbum Souls of Black, o quarto álbum da banda. Nesta altura, na minha humilde opinião, descubri uma banda com um dos melhores guitarristas de Trash (Alex Skolnick), com uma técnica muito particular e uma capacidade muito boa de aliar a técnica com excelentes solos. Sem mencionar Eric Peterson, o qual também tem uma excelente técnica visível na introdução do tema “Beginning of the End”.

Chuck Billy, ele tem algo que muitos músicos de thrash metal não têm: ele pode cantar um tom limpo  e um rugido poderoso de thrash metal, mostrando a versatilidade de Chuck Billy. Em geral, é uma banda de músicos que sabem utilizar a sua musicalidade para grandes obras maestras do mundo Trash.

Qualquer banda de Trash Metal, Death Metal, Black Metal ou qualquer outro tipo de Metal, que queira tem sucesso e impacto no mundo musical, tem de ter uns riffs poderosos e expressivos. Testament não foge a isto, com riffs incríveis e com algunas nuances que marcam a diferença. Por exemplo, neste meu primeiro álbum de contacto com a banda, temo o tema “Malpractice”.

Sendo eu uma pessoa insaciável em termos musicais, não fiquei tranquilo até descobrir os trabalhos anteriores a “Sous of Black”, e claro, continuar a assistir à evolução musical de Testament.

Não só por gosto próprio, mas também pelos resultados obtidos na media e mais concretamente pelos resultados visíveis na BillBoard 200, nota-se uma evolução constante da banda, tendo subido de posições desde uma modesta 136ª com o álbum The New Order, editado em Maio de 1988, passando pela 77ª posição com o álbum “Practice What You Preach”.

Durante um período de obsessão com o movimento grunge, Testament lançou um álbum diferente, com um estilo menos trash e mais Heavy Metal tradicional. Foi o álbum “The Ritual”, lançado em 1992 tentando chamar a atenção das audiências viradas para as novidades do grunge. Este álbum alcançou a melhor posição até então pela banda, um 55º na Billboard Hot100.

Depois de este período, a banda sofreu várias mudanças no lineup e alguns problemas graves de saúde de alguns membros da banda, afectando a continuidade do trabalho feito até ao momento.

A partir de 2008, Testament regressou com força e vontade de mostra do que são capazes e que o Trash Metal não está a morrer.

Dark Roots of Earth” e “The Brotherhood of the Snake”, vieram com riffs poderosos, solos virtuosos e uma produção evolutiva em termos de qualidade musical como de capas de CD. Hoje em dia, com a facilidade de ouvir musica na Internet, a tradição de abrir uma caixa de CD e encontrar uma capa com detalhes absolutamente espetaculares, informação sobre o álbum e a banda, é cada vez mais escassa.

Não devemos deixar que essa tradição se perca. Devemos considerar musica uma arte, desde a produção musical como à produção da capa. Guardar como se de um quadro se tratasse e não considerar a musica como uns bits mais dentro do disco do computador.

A música é como uma libertação do estado de espírito no momento. Eu gosto bastante de Metal, mas também sou apreciador de outros tipos de musica que me preenchem quando necessito. Por isso, e por conhecer a Testament, encontrei um trabalho fantástico do guitarrista Alex Skolnick e a sua banda de Jazz. Aqui damos conta da versatilidade, da técnica, da inovação de um guitarrista. Além disso, sou da opinião que este novo projeto de Alex Skolnick, ajudou na maturidade e detalhes e técnica utilizadas nos últimos trabalhos da banda.

Além disso, é sempre gratificante, pelo menos para mim, quando os membros de uma banda que gostamos, demonstram uma grande simplicidade, humildade e simpatia na hora de falar das suas técnicas e no gosto que têm de ensinar o que sabem. Em várias Masterclass de Alex Skolnick, podemos observar isso.

Alex Skolnick e Eric Peterson trocam ritmos e solos ao longo destes últimos álbuns, o que realmente proporciona um contraste interessante. Cada um deles tem suas próprias características que foram evidenciadas em anteriores trabalhos. Eric Peterson sempre foi um génio do ritmo, e Alex Skolnick um guitarrista muito inteligente, escolhendo modos e escalas para transmitir exatamente o que ele deseja transmitir nesse momento.

Com esta mudança entre quem faz ritmos e que faz solos, temos o prazer de presenciar solos detalhados e poderosos, e a reprodução do ritmo começa a assumir mais caráter do que em alguns trabalhos anteriores.

Para mim, Testament sempre foi uma banda injustamente subvalorizada. Lançou-se e fez-se ouvir, fazendo digressões internacionalidades como banda de suporte de outras com mais renome na altura. Mas têm muito mais qualidade que isso. Inclusive, estão ao nível de poder fazer parte de um evento como “The Big Four”, por exemplo.

Tiveram uma passagem muito tímida por Portugal, e nunca tive a oportunidade de vê-los ao vivo……………… ATÉ AGORA.

Infelizmente sem passagem por Portugal, vou ter a oportunidade de assistir no próximo dia 4 de Dezembro no La Riviera em Madrid, Espanha. Como qualquer amante de música e conhecendo uma banda há tantos anos sem nunca ver e ouvi-los ao vivo, a expectativa é enorme.

A expectativa de sentir esses riffs poderosos, ver a maturidade de uma banda com mais de 30 anos ao serviço do Trash Metal, ver e sentir as técnicas de guitarra de Alex Skolnick que tanto me motivaram para aprender guitarra.

Texto – Nuno Von Doellinger
Fotografia (Capa) – Stephanie Cabral
Promotor – Madness Live Prods