Numa noite chuvosa de Sábado pré natalício, a 19 de Dezembro, a aconchegante e majestosa Aula Magna recebeu dEUS e a sua luz intimidante.

Pelas 21h ocorreram coisas estranhas. O guitarrista e DJ Aldo Struyf, camuflado por entre colunas, cabos e técnicos de som, tomou conta de uma mesa de mistura. Ouviam-se faixas de rock, folk e todos os seus derivados, às escuras e sem se perceber bem o que se passava. Entre assobios e protestos, a plateia pensava que a preparação do palco estava atrasada. A verdade é que não, era mesmo Aldo Struyf a fazer trocas e misturas de faixas, escondido, a preparar-nos para dEUS.

Eram 22h em ponto quando os belgas ocupam as suas posições nas cadeiras. O intimismo estava criado e a noite esperava-se calma e cheia de amor. Pela segunda vez no ano em cima de um palco luso, Tom Barmam mostrava o seu português, já bem trabalhado, e explicava que este seria o último concerto da tournée. Uma tournée que teve por base o renascimento de algumas faixas que pouco ou nada são tocadas e a transformação de outras em versão acústica.

Os acordes iniciais eram suaves e apaziguadores e assim ficaram até ao final do espectáculo, envolvendo o público numa ambiência mística de puro carinho e nostalgia. Ouvia-se “Wake Me Up Before I Sleep” de In a Bar, Under The Sea e o palco iluminava-se com uma aura brilhante de emoção.

Entre piadas e demonstrações de amor a Portugal, “Eternal Woman”, “Include Me Out” (nunca antes tocada), “Right As Rain” (escrita para o pai), “7 Days, 7 Weeks” (escrita para a irmã), “Secret Hell” e “Nothing Really Ends”, entre tantas outras, trouxeram emoção e aconchego. Para completar a hora e meia de espectáculo tivemos direito a dois encores: o primeiro com “Bad Timing” e “Serpentine” e, o segundo, com “Dream Sequence #1”. A verdade é que podiam ter continuado, o público estava perdidamente rendido e abraçava cada nota musical.

Ao longo da cerimónia que se celebrava naquele palco, constatámos a existência de uma panóplia de instrumentos que não podiam combinar melhor, dando realce ao violino que tinha o poder de fazer os pelos subir e manter-se em pé.

O intimismo cobria a sala e, depois da poesia cantada pela voz de Tom e tocada pelos instrumentos, a banda despede-se com um “Até já” deixando um convite para um after party pelos bares do Cais do Sodré, consta que andaram pelo Roterdão e Europa a fazer amigos e espalhar simpatia.

Assim nos preparámos para o Natal: com um sorriso quente e uma calma divina, desejando que o até já seja breve.

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Valentina Ernö (Silvana Delgado)
Promotor – Everything is New