Oito da noite do dia 18 de Setembro. O céu meio alaranjado perde a intensidade da cor. De um lado, um edifício imponente de fachada branca e duas torres. Do outro, um amplo relvado equiparável a um anfiteatro natural com torres de cimento e as luzes da cidade como pano de fundo. Estamos no Campus de Campolide da Universidade Nova de Lisboa.

A música eletrónica faz a abertura do festival e, no centro do recinto, o DJ Benny dá as boas vindas à lua que se aproxima ao de leve.

Respira-se descontração e serenidade e aos poucos as pessoas vão entrando enquanto se faz o soundcheck em cima do palco.

Com um público ainda tímido e pouco depois das 21h os Galgo consomem as atenções. Venceram o Concurso de Bandas Sziget’2015 e vieram para mostrar o que são. Os Galgo são uma banda em crescimento, tanto a nível pessoal como instrumental. Os músicos de Oeiras tocam rock experimental com algum psicadelismo de guitarras esquizofrénicas. A voz que se destaca é a dos instrumentos, principalmente os de cordas com o claro objetivo de nos guiar por uma viagem onde, por vezes, a monotonia se apodera deixando a sensação de que ainda há muito trabalho pela frente.

Os Trêsporcento eram os próximos. Com a energia e boa disposição que tão bem os caracteriza, conseguiram aquecer os ouvidos aos presentes. Com uma maturidade de relevo, estes 5 jovens enchem o palco de verdadeiras malhas de rock poeticamente trabalhadas. A guitarra acústica de mãos dadas com as elétricas constrói uma melodia que sabe a paixão e serenidade e as letras entoam a emoção. Do alinhamento fizeram parte as tão já conhecidas “Cascatas”, “Elefantes Azuis”, “Homem Novo” e “Dás a mão e não sentes”.

 

David Santos toma conta do palco. Noiserv provou que o frio e o ruído que se faziam sentir podiam ser esquecidos quando a música é brutalmente bem trabalhada e emocionalmente boa. Não são necessárias apresentações, este one man band de um talento indiscritível abriu-nos os caminhos da imaginação e da ilusão submersos em histórias de vida e musicas de encantar. Pelo meio, houve uma dica subtil de que coisas novas vinham a caminho e conversas sobre futebol. “Bullets on Parade”, “This Is Maybe The Place Where Trains Are Going To Sleep At Night”, “Palco do Tempo” e “Don´t Say Hi If You Don´t Have Time For A Nice Goodbye” fizeram parte do espetáculo, onde houve direito a um encore com “Bontempi”.

 

Já com o recinto composto e mais aconchegado, os tão esperados Diabo na Cruz deparam-se com um público de braços abertos e coração expetante, a necessidade de uma festa era gigante e foi uma festa que deram. Com uma mescla de entoações de música tradicional portuguesa com riffs de rock, o seu estilo característico reflete-se em extremos: ou é amado ou odiado e naquela noite foi, definitivamente, saboreado e amado a cada nota. A energia em palco contagiava as pessoas que se sincronizavam tanto vocalmente como fisicamente. Prometeram um concerto carregado de êxitos antigos e assim foi, pelo alinhamento de cerca de 1h30 de concerto encontravam-se “Verde Milho”, “Casamento”, “Luzia” e “Vida de Estrada” e ainda um encore de 3 músicas.

 

Por entre os concertos ainda contámos com a companhia dos Party Brass Band que, pela relva, iam animando o público com os seus instrumentos de sopro e percussão numa euforia que impedia as pessoas de ficar paradas.

A Azul de Tróia está de parabéns e a Universidade Nova de Lisboa também. Venham mais festivais assim e apadrinhamentos da música portuguesa. Tão nossa, tão boa.

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Rita Justino