O Vodafone Paredes de Coura é um festival com um nome e conceito gigantes. De ano para ano tem vindo a ganhar mais força e fãs. Este ano, a consistência e qualidade do cartaz e o facto de o festival já andar nas bocas do mundo há algum tempo levou a que, pela primeira vez, em 23 edições esgotasse totalmente.

Embora dentro do recinto a abertura oficial fosse dia 19 de Agosto, pela Vila de Paredes de Coura o festival começou a sentir-se desde dia 16. De 16 a 18 de Agosto, o festival subiu à vila, levando vida, boa disposição e enchentes de pessoas às ruas de Paredes de Coura. Nomes como Toulouse (dia 16), The Happy Mess (dia 17) e Les Crazy Coconuts ou até Zé Pedro (dia 18) subiram ao palco que se encontrava no centro da vila para abrir o apetite aos festivaleiros sedentos de boa música.

Em relação ao dia 19,

Gala Drop

O anfiteatro natural, imagem que entra na cabeça de quem vai ao festival a primeira vez e nunca mais se apaga, foi inaugurado pelos lisboetas Gala Drop, que subiram ao palco dispostos a fazer uma festa, como Jerry The Cat afirmou mal tocou com os lábios no microfone. Perante um público já bem composto e que se foi compondo mais à medida que as músicas iam tocando foram partilhados 45 minutos de autêntica festa e euforia. Com um ritmo bastante apetecível, trabalhado pelo sintetizador, percussão e um afro-beat fora do normal, os Gala Drop oferecem um belo preparo musical de rock experimental para o ouvido dos festivaleiros.

Ceremony

Em tonalidades mais pesadas e escuras, os americanos Ceremony atribuem ao dia o melhor final possível. Com claras influências de Joy Division, principalmente pelas linhas do baixo e melodia, contribuíram para os primeiros sinais de moche existente perto das grades. Com uma grande presença em palco, o vocalista, Ross Farrar apresentou-se energicamente pronto a instalar o caos, puxando pelo público constantemente. Por detrás, estava a capa do novo álbum lançado em Maio do presente ano – “The L-Shaped Man” e que tão bem foi apresentado no concerto: temas como “The Party”, “The Separation” e “Your Life In France” fizeram parte do alinhamento, tal como malhas mais antigas “Hysteria” e “Sick”. Em resumo, o punk-rock e o post-rock que caracteriza os Ceremony deixaram-nos com um apetite voraz por mais, pensando que os 45 minutos que tocaram souberam a muito pouco.

Blood Red Shoes

Eis que sobe ao palco a dupla britânica Blood Red Shoes, com quase 11 anos de existência afirmam que é bom estar de regresso a Paredes de Coura após 4 anos. A banda, composta pela bela e cautelosa Laura-Mary Carter na voz e guitarra e pelo inquieto Steven Ansell na bateria e segunda voz tocou um rock alternativo com uma mescla subtil de indie e punk, fazendo os ânimos ficarem ainda mais quentes, levantando pó no recinto. O rock tanto tinha riffs trabalhados e mais pesados, como dançáveis e alegres, fazendo lembrar um casamento entre The White Stripes com The Kills. Entre as músicas tocadas estavam “Don´t Ask”, “I Wish I Was Someone Better” e “Cold” e o concerto terminou com Steven de pé em cima da bateria usando de toda a sua força para deixar o público de coração na boca.

Slowdive

Era tempo do concerto que tinha tanto de desejado como de indesejado. A banda cujo nome é inspirado numa música de Siouxsie and the Banshees tinha muitos fãs à sua espera, tal como muitos desinteressados. A simplicidade subtil da maturidade escondida por detrás de um véu de sensibilidade e encanto fez os presentes fecharem os olhos e sonhar, a voz de Rachel Goswell era a guia e o caminho era criado na imaginação de cada um. É assim o estilo Shoegaze que os caracteriza, torna-se capaz de embalar e fazer magia, conseguindo transformar o que é uma poética triste em sensações deliciosamente alegres e reconfortantes. Só era preciso fechar os olhos e foram muitos os que o fizeram. Da setlist faziam parte “Slowdive”, “Catch The Breeze”, “Crazy For You” e “Dagger” entre muitas outras malhas que fazem parte da história da banda. O concerto terminou com suspiros e com Rachel a sair antes de terminar a música.

TV On The Radio

Os tão aguardados cabeça de cartaz sobem ao palco e dão de caras com um denso e amplo amontoado de cabeças. O ritmo experimental e ao mesmo tempo futurista misturado com ondas de rock’n’roll, de pop e até soul guiou o concerto por um caminho reto, estreito e direto. Em jeito de celebração do tão aclamado álbum que saiu no ano passado – “Seeds”, a segunda música cantada foi “Happy Idiot”, tocada com um ritmo mais lento do que estamos acostumados a ouvir; não faltaram também “Lazerray”, “Could You” e “Winter”. Já de olhos no passado fomos brindados com “Young Liers”, “Wolf Like Me”, “My Repetition” e, para terminar, o clássico “Starring At The Sun”. A esta hora já se viam pessoas a suar de tanto saltar. Mas a luz voltou a iluminar as caras e eles voltaram para um encore de 1 música que teve tanto de bom, como de pouco saciante. Assistiu-se a um concerto com alguns altos e baixos, com momentos emocionantemente bons mas ficando com a sensação de que faltou alguma coisa por ofertar.

Termina assim um primeiro dia de emoções à flor da pele, restando a ansia que se fazia sentir pelo tão aguardado segundo dia de festival.

Texto – Eliana Berto
Fotografia – © Hugo Lima | Vodafone Paredes de Coura