Final de uma sexta-feira quente, muito quente. Avenida Almirante Reis ao rubro nas pernas de cores diversas que caminhavam, para cima e para baixo, num desespero de falta de transportes.

20150626 - Entrevista - Cavaliers of Fun

Fomos subindo ao Chile e no cimo de uma escadaria, lá levitava o Planeta Opus 19 de Ricco Vitali. Embrulhados num caos comunicacional, iniciámos a convencional entrevista em que eu perguntava e o Ricardo respondia.

Tentámos os primeiros minutos e rapidamente percebemos que o melhor era continuarmos nas minis, desligarmos o gravador e esperarmos pelos “melhores pregos de Lisboa”.

Ricco Vitali é o mentor do projecto “Cavaliers of Fun”, que ganhou a 2ª edição do EDP Live Bands. O Ricardo Coelho teve uma banda quando era mais teenager, os Loto, de Alcobaça.

“Fizemos montes de concertos, tocámos nos festivais todos, foi uma altura muito gira. Depois decidi emigrar para Londres, como bom português. Tirei uma série de cursos, e ai decidi dedicar-me à música de outra forma, mais como DJ e como produtor. E em Londres criei este projecto, os “Cavaliers of Fun” e como tu falaste há pouco, uma coisa com poucas ambições. Eu acho que a música não é para se ter ambições, é simplesmente para se viver a música. Comecei em 2011 com os Cavaliers of Fun e, 2015 cá estamos (risos)!”

Com um EP lançado no 1º trimestre de 2015, “Camp COF”, Ricco afirma ”eu não sou grande defensor de álbuns, de CD’s. Acho que vivemos numa época de singles e de músicas, e eu como consumidor sinceramente já não vejo o álbum como aquela obra clássica. Neste momento há tantas bandas a aparecer, que nós nem sequer temos tempo.”

Sonoridades cósmicas, transcendências para lá do infinito. Dimensão espacial e planetária, o vídeo de apresentação da banda no EDP Live Bands 2015 é filmado numa tasca na Praça do Chile, com matraquilhos, minis, e pregos lisboetas. Ou seja, mais localizado e enraizado que isto, não podia existir.

20150626 - Entrevista - Cavaliers of Fun

“Tudo são contradições! E de facto tens razão, a minha música é um bocado espacial, um bocado cósmica. Gosto de sentir que nós não estamos propriamente sozinhos no Universo. Gosto sentir que há aqui uma coisa maior do que a nossa existência terrestre.

Mas também sou uma pessoa de raízes, que pertenço a um sítio e que estou inserido num sítio. E se calhar o ID (vídeo de apresentação) não foi um manifesto ideológico, mas acaba por ser isso, o estarmos enraizados num sitio. E nada melhor que o mais pitoresco, que é uma tasca onde as pessoas bebem e conversam, e estão tranquilas.

E é um bocado isso que a música também pode transparecer, que é estares tranquilo com a vida e estares sem grandes merdas (risos)!”

Ricco tem mais de 100 rascunhos à espera de serem trabalhados e limados. Trabalho que terá que fazer para a gravação do CD pela Sony Music.

“É uma questão complicada porque não pensei muito nisso! Obviamente que queremos tocar mais, em mais sítios, queremos gravar um disco. Hoje tem que se pagar para gravar um disco, e isto vai ser refrescante. Estar num óptimo estúdio e não estar a pensar no dinheiro que estou a gastar. E tal como todas as bandas que existem, poder tocar em dois dos maiores festivais, é algo que me agrada imenso!”

Apesar do trabalho de compor ser um trabalho mais solitário, a colaboração de João Pedrosa (baterista) e Miguel Nicolau (guitarrista) é fundamental, “porque são músicos tecnicistas. O Miguel é o mentor de «Memória de Peixe». Trabalhar com pessoas criativas é o mais interessante como músico”, afirma Ricco Vitali quando lhe pergunto como se relaciona com os restantes músicos dos Cavaliers of Fun.

20150626 - Entrevista - Cavaliers of FunAs influências musicais de Ricco são muitas, e as de humor também. “Basta estar mais feliz ou mais triste para saírem coisas diferentes”. Uma sonoridade que nos remete aos anos 80, que a mim pessoalmente, me faz lembrar os Modern Talking.

“O primeiro disco que comprei foi Queen. Ouvia Jean Michel Jarre, sim sou influenciado por tudo!”, partilha Ricardo connosco.

 

Quando perguntámos como estavam os ensaios para o NOS ALIVE (dia 09 de julho), “Ainda não ensaiámos sequer. Também já tocamos há muitos anos, a fórmula não é a música, que tem que se construir um concerto racional e automaticamente. Eu acho a música electrónica mais clássica, uma seca. Não tem momentos inesperados. Por isso tento afastar-me um bocado disso.”. Acabámos a nossa conversa a comer “o melhor prego de Lisboa” (que recomendamos vivamente!),e a ouvir Roberto Carlos.

Os “Cavaliers of Fun”, ou seja o Ricco Vitali, o Nico e o João vão estar hoje no NOS ALIVE para proporcionarem “um momento inesperado” e certamente cheio de sons cósmicos e revivalismos dos anos 80, para nos porem a dançar e … tranquilos com a vida!

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Entrevista por – Carla Sancho
Fotografia – Luis Sousa