50 Anos de 50 álbuns grandiosos

Se no Brasil surgia o Tropicalismo, em São Francisco surgia “The Summer of Love” ambos carregados de psicadelismo e de um despertar de consciências, apostando maioritariamente na liberdade e nas drogas. A estes movimentos associava-se a música como forma de libertação e veículo de partilha de ideais, pensamentos e sentimentos. O que não se alterou até aos dias de hoje.

A década de 60 acabaria por marcar e influenciar a música de hoje. Os anos 60 foram pais do psicadelismo e consolidaram o folk, o rock’n’roll, o blues e a soul. Percorriam-se trajectórias floreadas, coloridas e quentes e, ao mesmo tempo ensurdecíamos ao acompanhar o riff mais cru e agudo. É impossível a um apreciador de música não ter esta década como referência e é impossível não deixar de agradecer por todo o alimento que nos deixou ao ouvido e à alma.

Do início ao final do ano de 1967 foram lançados discos de estreia, melhores álbuns e uma qualidade difícil de esquecer e de contornar. Neste artigo, vou referir aqueles que considero (e se consideram) os melhores 50 álbuns lançados neste ano pelo mundo.

  1. A transição de ano tinha acabado de ser feita e com ela vinha a estreia dos The Doors em disco. Estes emblemáticos, carismáticos e polémicos senhores lançavam a 04 de Janeiro, o seu álbum Homónimo. Composto por faixas como “Light My Fire”, “Break on Through (To The Other Side)”, “Alabama Song (Whiskey Bar)” ou “The End”, canções ainda hoje conhecidas, reconhecidas e cantadas pelo mundo inteiro, este álbum é um dos mais importantes da sua carreira, tendo-se revelado a melhor rampa de lançamento que podiam ter.
  1. Uns dias mais tarde, a 9 de Janeiro, os The Monkees lançavam o segundo álbum de estúdio – More of The Monkees. Tal como fora assumido, a banda haveria sido criada para rivalizar com os The Beatles e, quando se escuta The Monkees, é inevitável não notar as parecenças, até no penteado (coisa não muito difícil, tendo em conta as tendências da época)!
  1. A 20 de Janeiro os The Rolling Stones lançavam o seu quinto álbum – Between The Buttons, que saiu a 11 de Fevereiro nos EUA. Brian Wilson (The Beach Boys) afirma ser o seu álbum preferido.
  1. O trio feminino The Supremes mostrava ao mundo, a 23 de Janeiro, a sensualidade ritmada daquele que foi o seu décimo álbum – The Supremes Sing Holland.Dozier.Holland com músicas escritas por Holland-Dozier-Holland, produzido por Brian Holland e Lamond Dozier.
  1. A 6 de Fevereiro os The Byrds lançam Younger Then Yesterday onde denotam claramente a sua origem californiana.
  1. O psicadelismo criava coisas novas e a 13 de Fevereiro os pioneiros Jefferson Airplane apareciam com o seu segundo álbum – Surrealistic Pillow – tornando-se no primeiro álbum de sucesso da banda de onde saíram temas como “Somebody To Love” e “White Rabbit”.
  1. Ainda em Fevereiro, a 27, Elvis Presley lançou How Great Thou Art, o terceiro álbum de gospel que viu algumas canções a compor bandas sonoras de filmes.
  1. A rainha da soul Aretha Franklin, lançou, a 10 de Março, aquele que foi um dos álbuns mais importantes da sua carreira – I Never Loved A Man The Way I Love You, considerado ainda hoje um dos melhores álbuns deste estilo musical.
  1. Dois dias depois, The Velvet Underground lançam o seu primeiro trabalho – The Velvet Underground & Nico – e entram para a história com faixas como “I’m Waiting For The Man”, “Venus In Furs”, “Heroin” e muitas outras mais.
  1. Ainda em jeito de primeiros trabalhos, os Greatful Dead estreiam-se a 13 de Março com The Greatful Dead e um rendilhado de linhas e estilos cruzados que nos criam comichões nas palmas dos pés.
  1. Em Março saía, também, algo que marcaria a carreira de dois grandes senhores. Daquilo que seria a mistura quente de ritmos quentes baianos com o mistério grandioso da música clássica de Frank Sinatra resulta Francis Albert Sinatra & António Carlos Jobim.
  1. Ainda no mês 3 Donovan, lançava um dos seus maiores sucessos – Mellow Yellow – um marco na sua transição escrita e maturidade.
  1. A 29 de Abril saia o álbum mais importante de The TurtlesHappy Together. O single que deu nome ao álbum deve ter sido um dos mais tocados na altura em todas as festas e pistas de dança, deixando um formigueiro por todo o corpo.
  1. 12 de Maio era o dia em que o emblemático Jimi Hendrix Experience daria à luz o seu primeiro filho – Are You Experienced?. Escusado será dizer o sucesso que alcançou e ainda tem nos dias de hoje.
  2. O Segundo álbum do grupo liderado por Frank Zappa, The Mothers of Invention saia a 26 de Maio. Absolutely Free é um dos álbuns mais impotentes política e socialmente da banda.
  1. Ainda em Maio, os The 5th Dimension lançam o seu primeiro trabalho Up, Up And Away, carregado de pop, sendo que o single que da nome ao álbum se tornou num dos maiores hits pop da altura.
  1. Ano de estreia também para o grande David Bowie e o seu álbum Homónimo lançado a 01 de Junho.
  1. Um dos maiores e melhores álbuns da história da música seria lançado no mesmo dia: The BeatlesStg Peppers Lonely Hearts Club Band. O oitavo disco da banda tornou-se de imediato um enorme sucesso, continuando até aos dias de hoje.
  1. Disco de estreia para Moby Grape a 6 de Junho com um Homónimo, apostando na vaga psicadélica tão demarcada na altura.
  1. No dia 10 de Julho sai o quarto álbum dos Yardbirds, o primeiro gravado em quarteto. Little Games foi, também, o último álbum de estúdio da banda.
  1. Quarto dias depois, os Bee Gees estreiam-se com Bee Gee’s 1st alcançando o top 10.
  1. A 17 de Julho, os The Temptations lançam o quinto álbum: Temptations With A Lot O’ Soul. A verdade é que foi um álbum carregado de boa soul.
  1. Ano de estreia, também, para Pink Floyd com The Piper At The Gates of Dawn lançado a 5 de Agosto, o único álbum feito com Syd Barret com aposta demarcada no rock psicadélico.
  1. No mês de Agosto, Joan Baez lança, também, o emocionante Joan.
  1. No mesmo mês, Pete Seeger lança um álbum replete de folk com coração – Waist Deep In The Big Muddy And Other Love Songs.
  1. Ainda em Agosto, Frank Sinatra lança The World We Knew.
  1. A 15 de Setembro, os emblemáticos The Kinks lançam o Quinto álbum de estúdio – Something else By The Kinks.
  1. Três dias depois, no dia 18, sai Smiley Smile, o 12º álbum dos The Beach Boys que, não tendo sido bem recebido na altura, foi ganhando estatuto ao longo dos tempos.
  1. No mesmo mês Vikki Carr lança It Must Be Him e alcança o n.º 3 com o single que dá nome ao álbum.
  1. Setembro seria o mês de estreia para Van Morrison com Blowin’ Your Mind!.
  1. Estreavam-se, igualmente, The Animals com Winds Of Change e um psicadelismo puro.
  1. Para fechar Setembro, outra estreia: Procol Harum e o álbum Homónimo.
  1. A 2 de Outubro, os The Doors regressam aos lançamentos com Strange Days e as suas inquietações estranhas e que entranham.
  1. Em Outubro, Nina Simone lança o seu 13º álbum – Silk And Soul.
  1. A 2 de Novembro os Cream lançam aquele que viria a ocupar posição na lista dos 500 melhores álbuns da Rolling Stone – Disraeli Gears.
  1. No dia 6 do mesmo mês, os The Monkees lançam o seu 4º álbum – Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones, Lda. onde introduzem mais instrumentos.
  1. No dia 10, os Moody Blues lançam o seu 2º álbum, considerado o primeiro álbum conceitual do rock – Days Of Future Passed.
  1. Ainda em Novembro, no dia 18, os Buffalo Springfield lançam o magnífico Buffalo Springfield Again.
  1. No dia 30, os Jefferson Airplane lançam o 3º álbum – After Bathing at Baxter’s.
  1. Para fechar Novembro, os Love mostram, também, o seu 3º álbum – Forever Changes.
  1. The Jimi Hendrix Experience voltam a estúdio e lançam a 1 de Dezembro o 2º álbum, Axis: Bold As Love.
  1. No dia 8, os The Rolling Stones lançam Their Satanic Majesties Request, o título é uma crítica aos passaportes britânicos.
  1. Os The Who lançam no dia 15 The Who Sell Out, o seu 3º trabalho feito para se parecer com uma transmissão da rádio pirata Radio London.
  1. De regresso a estúdio, os The Beach Boys apresentam Wild Honey no dia 18, o primeiro álbum desde o Surfin’ USA a não ser produzido unicamente por Brian Wilson.
  1. Mudando um pouco de estilo, Bob Dylan lança John Wesley Harding no dia 27 de Dezembro, 8º álbum da banda.
  1. Ainda em Dezembro, pelos Estados Unidos e em Abril em Inglaterra, Donovan mostra A Gift From a Flower To a Garden, álbum duplo e o 5º da sua carreira.
  1. Em Dezembro, ainda, os Traffic estreiam-se com Mr Fantasy, considerado o trabalho mais art rock da banda.
  1. Sem data, mas em 67 as The Marvelettes lançam um Homónimo.
  1. Duk Ellington – lança, também, … And His Mother Called Hum Bill, o seu 7º disco.
  1. Para finalizar, o rei BB King lança Blues is King ainda neste ano.

 

1967 foi, ainda, o ano em que os The Doors foram ao The Ed Sullivan Show e lhes foi pedido para substituírem a palavra higher por outra que, efectivamente, não aconteceu.

Foi, sem a menor dúvida, uma década marcante para a música de antes e de agora e como prova disso, ficam testemunhos de músicos e pessoas relacionadas com a música que viram a sua vida influenciada por esta década:

“É formidável pensar que os álbuns The Doors e Strange Days, ambos clássicos, nasceram no mesmo ano, três anos antes de eu nascer. Para ser honesto, eu não gostava de The Doors quando ouvi a primeira vez. Em criança lembro-me que o filho mais velho do meu vizinho explorou até à exaustão estes dois discos (principalmente o primeiro) num volume altíssimo que saia pela janela do seu quarto. Era um pouco idiota, deveria ter mais uns 5 anos que eu, então por alguns anos eu não gostava dessa música porque me fazia lembrar dele. Contudo, o tempo passou e, na adolescência, comecei a respeitar aquela dinâmica musical, principalmente o estilo ecléctico da poesia do Jim Morrison. De facto, agora reconheço que muito dos álbuns com os quais cresci (de bandas como The Birthday Party, Nick Cave & the Bad Seeds, Crime & the City Solution, etc.) foram influenciados pelos The Doors. Assim, fazendo uma retrospectiva, acho que os The Doors tiveram impacto muito significante na minha composição do que eu pensaria na época. Na verdade, há muitas músicas poderosas e icónicas em ambos os lançamentos e é incrível!”

Mark Steiner (Músico e compositor)

 

“Sempre tive como referência que 1967 terá sido um ano de extraordinária criatividade e experimentação musical. Não só pela quantidade de grupos novos que editaram os seus primeiros álbuns nesse ano como também pelo facto de muitos grupos já estabelecidos terem enveredado por gravar música bastante fora do espectro do rock/pop que tinha regido o início da década.

Quando era puto (16/17 anos) descobri o rock psicadélico dos anos 60 e fiquei siderado. 1967 parecia ser aquele ano mágico em que toda a gente ficou multicolorida, polaroidizada e quadrofónica. Já conhecia os Beatles e os Rolling Stones e até já tinha ouvido os Sgt. Peppers mas graças a amigos mais velhos e com excelentes colecções de discos descobri verdadeiras pérolas do psicadelismo como o ‘Their Satanic Majesties Request’ ou o ‘Surrealistic Pillow’. Mas mais importante que todos estes, o momento da minha adolescência foi ter ouvido o ‘Piper at the Gates of Dawn’ e subsequente discografia do Syd Barret. Confesso que na altura que o ouvi até pensava que não fossem os mesmos Pink Floyd que editaram o ‘The Wall’ que foi um disco de enorme sucesso na minha rua. Seja como for, talvez não tenham sido estes os discos que mais influência tenham tido em mim como músico.

Para além da explosão do psicadelismo e do proto-prog rock, como os Procul Harum e os Moody Blues, outra coisa estava a acontecer em 1967 que teve um papel determinante na música que faço. A reinterpretação dos Blues de uma forma assumidamente electrizada, distorcida e carregadinha de decibéis. Acho que tudo isto começa com os Cream que, embora iniciem a sua actividade como grupo em 1966 é em 67 com o album ‘Disraeli Gears’ que, no meu entender, se estabelecem definitivamente como songwriters, aplicando a fórmula de power blues do primeiro disco em temas originais. É precisamente nessa senda que vemos surgir também em 67 os primeiros discos do Jimi Hendrix e dos Doors e ficou a porta definitivamente aberta para grupos como os Deep Purple e os Yardbirds que eventualmente se transformaram nos Led Zeppelin e que levaram a coisa ainda mais longe e acabaram por criar as bases do Hard Rock e do Heavy Metal.”

Fast Eddie Nelson (Músico e compositor)

 

“A inspiração recolhida na revolução musical de 1967 foi imensa para o universo de Acid Acid. Desde que me lancei nesta aventura e decidi balizar o que deveria ser Acid Acid (mesmo que seja uma baliza imensa onde a música ambiental, experimental, mística, progressiva, psicadélica, kraut ou stoner convivem) que de forma natural olhei para as minhas maiores inspirações. Se Eno (ou o Bowie berlinense) e as mais pioneiras expressões do krautrock (desde os ritmos maquinais à exploração dos sintetizadores) estavam bem alojados nos anos 70, havia um sem número de nomes que vinham precisamente dos anos 60 e desse ano magnífico de edições que foi 1967. Há três discos que marcaram a minha juventude e que ainda hoje ouço com frequência: o primeiro dos Velvet Underground, o primeiro dos Doors e o primeiro dos Pink Floyd. E é de facto extraordinário estar a escrever este texto e pensar nestes discos como os álbuns que abriram as respectivas carreiras, uma claramente mais longa que as outras, mas todas imensamente influentes. E são apenas 3 de uma longa lista de estreias fundamentais em 1967, desde o Hendrix ao Zappa ou Grateful Dead. Nos Velvet Underground encontrei alguns aspectos cruciais. Desde logo a produção e a prova que não é preciso um disco soar bem para ser bom. Se a música for boa, pode ter sujidade, pode ter distorção a mais, o que importa? Também apreendi que as melodias delicadas podem viver lado a lado com uma brava noção de avant-garde, da repetição tumultuosa e do feedback. Tudo isso era música e tinha propósito estético. E claro, a visão ultra-realista de uma Nova Iorque decadente em contra-ponto com a visão utópica de quem celebrava o Verão do Amor. Os Doors pasmavam-me em adolescente pela combinação de melodias rock soalheiras com um lado místico, que tanto devia aos ameríndios como aos deuses da antiguidade clássica. Se às tantas lá me fartei dos Doors, por certo por ouvir a The End até à exaustão, neste exercício de olhar para minha música, percebo que esse lado místico de alguns momentos de Acid Acid devem muito a esse primeiro disco dos Doors (como se calhar também vão beber à visão única de George Harrison quando celebrava nos discos dos Beatles as texturas da música indiana). Acho que todos estes elementos se combinam em The Piper At The Gates of Dawn dos Pink Floyd e nas viagens alucinogénias de Syd Barret, um dos deuses caídos do Olimpo Psicadélico. Neste álbum há noise, repetição, melodias exóticas e outras delicadas, numa pura subversão do que era o rock n’ roll para se transformar num sonho multi-colorido de quatro rapazes de Cambridge. Os Beatles podem ter criado o objecto pop por excelência da geração psicadélica nesse mesmo ano de 1967, mas os Pink Floyd alinharam-no com as luas de Urano e o resultado é uma viagem que quebra fronteiras sensoriais e espaciais. E essa é a matriz maior de Acid Acid. Não ter uma fronteira rígida e principalmente, lançar a música, que vai crescendo em camadas, em direcção ao cosmos outro lugar, seja longínquo, próximo ou interior. Estes três discos, entre as várias dezenas que inspiraram Acid Acid, são aqueles que melhor definem a natureza da música e o percurso de quem a faz, desde o ouvido mais ingénuo numa adolescência de constante descoberta, a um olhar mais adulto e instrospectivo do que realmente faz tilintar as cordas da guitarra. 1967 foi um ano que quebrou com todos os cânones da música popular, do que era possível colocar em disco, seja em música seja em palavras. É uma lição que ainda hoje devemos recordar e muitas vezes voltar a aprender.”

Tiago Castro/Acid Acid (Músico e Compositor)

 

“O Ano do “Summer Of Love” em San Francisco é provavelmente, na década de 60, o ano mais influente e de viragem da música Rock como a conhecemos hoje. Não marcou só o fim de excelentes bandas como The Trashmen, Johnny Kidd & The Pirates ou os Tornados, como foi o ano em que foram fundados conjuntos que ainda hoje estão no activo, uns com alguns membros, outros com novas formações e que 50 anos depois ainda dão cartas no panorama musical. Muitas delas estão entre os meus favoritos e que são grandes influências no meu desenvolvimento musical, nomeadamente os The Stooges de Iggy Pop, os Elf de Ronnie James Dio, Blue Cheer, Skid Row de Gary Moore, Blue Öyster Cult, Creedence Clearwater Revival, Jethro Tull, The Crazy World of Arthur Brown, Status Quo, REO Speedwagon, Amon Düül, Genesis, Spooky Tooth, T Rex, Gong, enfim, poderia enumerar mais uma centena que incluiria nomes de peso desde Santana aos Sly and the Family Stone. Digamos que foi o ano da confirmação! É certo que já havia Rock’n’Roll e com grandes obras lançadas até à data, mas nunca um ano juntou tantas estreias de luxo e alguns lançamentos de alta qualidade de entre os quais alguns até em dose dupla como foi o caso da The Jimi Hendrix Experience, The Jefferson Airplane, dos The Beatles, The Electric Prunes ou dos The Rolling Stones. Estreias como as de David Bowie, The Doors, Pink Floyd, Velvet Underground & Nico, Captain Beefheart and his Magic Band, The Grateful Dead, Janis Joplin e os seus Big Brother & the Holding Company, Frank Zappa com o seu primeiro disco a solo, e outras como os Amboy Dukes, Vanilla Fudge, The Youngbloods, Scott Walker, Ten Years After, Procul Harum, HP. Lovecraft, Traffic ou Canned Heat. Muitas outras lançaram discos nesse ano solidificando as suas carreiras: Manfred Mann, 13th Floor Elevators, The Pretty Things, Small Faces, the Yardbirds, Cream, John Mayall & the Bluesbreakers, the Who ou os The Kinks. Nunca mais houve um ano como o de 1967, se calhar a nível de lançamentos sim, mas nunca com as pérolas deste ano glorioso. O ano em que só os colossos do Soul, Country e do Blues davam outros tantos parágrafos. O ano em que tens que fazer opções dos nomes a referir, para o teu artigo não ficar demasiado longo ou uma lista interminável. O ano dos discos que tens na tua colecção que não queres em circunstância alguma vender, nunca! Faltava um ano para a formação de Black Sabbath e de Deep Purple, mas nenhum ano é perfeito. Resumindo, o ano em que é editado o Evil do Howlin’ Wolf, A lenda de El-Rei D. Sebastião dos Quarteto 1111 ou que o Leonard Nimoy lança o Mr. Spock’s Music from Outer Space vai ser muito difícil de bater, caso isso alguma vez seja possível.”

Daniel Makosch (Editor discográfico)

 

Um eterno agradecimento às bandas que tiveram um iluminar de ideias no ano de 1967 por aquilo que, até hoje, continuam a fazer por nós.

Texto – Eliana Berto