Na passada sexta feira 6 de março o trio The Twist Connection arribou no Sótão da Casa Capitão para nos brindar com a habitual descarga de rock n’roll irreverente e pulsante.
À primeira vista o frio que a noite trouxe parecia ter afastado o público, mas pouco a pouco a noite trouxe uma miríade de gente do coração, que apesar de não ter lotado a casa fez juz ao que aquele momento pedia.
O trio liderado por Carlos e Samuel, que no seu percurso já colaborou com gente tão diversa como Raquel Ralha, Ruby Ann, Miguel Padilha ou Gregg Foreman, trouxe consigo nesta noite o baixista Pedro Chau e na bagagem o último registo “Concentrate, Give it up, It´s too late” (2025).
Não há forma de pôr isto de outra maneira. Os The Twist Connection são dos trios mais consistentes que se mantém em actividade por estas bandas. A entrega é a mesma do início, e quando falo no inicio não falo de há dez anos atrás, falo de mais de três décadas dedicadas a isto de fazer km, de perder noites, carregar instrumentos. A energia contínua lá e a surpresa acaba por ser essa, a magia dessa irreverência que mantém as almas e as ideias rejuvenescidas no meio de batidas e riffs intensos.
A certeza de continuar consistentemente a vociferar contra o que está errado e abraçar os amigos que teimam em vir dançar as músicas deles. Continuamente a envolver todos os amigos que os vêm ver à espera desse mesmo abraço, dessa mesma entrega que parece nascer deste propósito de andar na estrada a ser feliz e a fazer os outros felizes.

Não me lembro exatamente do ano em que os vi a primeira vez. Tenho a certeza que foi numa noite invulgar no saudoso Sabotage Club (como quase todas as bandas que surgiram naquela altura foi lá que os vi a primeira vez). A singularidade dessa noite foi o concerto ter acontecido ali no triângulo à frente da porta ao invés de ter acontecido dentro de portas e no palco. Houve muita gente na rua que não fazia ideia do que se passava dentro daquelas portas e que entrou por que achou tudo aquilo para lá de fantástico. É essa capacidade de chegar aos outros e abraçar mesmo sem fazer a mais pálida ideia de quem são e dizer “Venham conosco lá para dentro, não se vão arrepender nem esquecer desta noite!”. Ou seja, no meio de uma série de amigos, depois de cumprimentar e abraçar uma série de gente, o Carlos virou-se para os que não conhecia e disse isto. E foi sincero. Não foi ensaiado nem planeado. Ele é assim, e a malta que gravita à volta dos Twist Connection também.
A proposito de música, pensei mesmo que iam girar mais em torno de “Concentrate, Give it Up, It’s too late” e enganei-me quase redondamente porque não foi bem isso que aconteceu. A viagem atravessou a carreira quase toda do trio, com “Long Drive” e outras a saltarem do já longínquo Stranded Down (2016) ou “Who are These People” (Twist Connection,2018). No final está a possível playlist do concerto (tenho ali umas dúvidas, quem quiser ajudar não se faça rogado).
Isto acaba por não ser apenas um concerto mas uma celebração da autenticidade, de comunhão, da partilha, de coração aberto dos três. O Carlos fala e contas as suas aventuras e filmes, mas não fala só por ele, acaba por fazer eco das dificuldades e das coisas boas que lhe acontecem por continuar a teimar, e bem, em fazer música com as pessoas de quem gosta.
Mais do mesmo, e porque não? Mais uma sexta de rock n’roll mas que desta vez terminou com o fabuloso Hey Day dos The Sound, versão que faz parte de “Sweet Little Diamond” onde quem deu a voz foi Raquel Ralha, mas que nesta noite ficou a cargo da inconfundível voz de Carlos Mendes.
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