Dá pelo nome de Omara Moctar, mas é pelo pseudónimo de Bombino que dá cartadas pelo mundo da música internacional. Oriundo do Niger, Bombino assina todas as suas canções em tuaregue, o que é meio caminho andado para que o ocidente não perceba patavina do que o músico está para ali a cantar.

Sendo assim, como é que Omara Moctar conta com uma vasta legião de fãs pelo mundo fora, onde Keith Richards e Robert Plant são alguns dos seus adeptos mais sonantes?

20181222 - Concerto - Bombino @ B.Leza

A resposta dá por seis cordas, ou não fossem variados os meios internacionais a nomeá-lo como um dos melhores guitarristas do mundo. Aliás, Bombino tanto é guitarrista como diplomata, ou não andasse por aí a divulgar o quão sonante a cultura africana consegue ser.

Com influentes produtores a contribuírem para os seus cartões-de-visita, com destaque para Dan Auerbach (The Black Keys), já muitos são aqueles que despertaram para as maravilhas afrodisíacas feitas por Bombino, em nada surpreendendo então que o B.leza Club esgotasse, no passado sábado, dia 22, para acolher o regresso do músico a Portugal.

Num concerto a arrancar num horário quase diurno – às 19h – Omara Moctar veio a Lisboa apresentar o seu mais recente disco Deran, o primeiro álbum nigeriano a ser nomeado para um Grammy, isto na categoria de ‘Best World Music’. Como tal, e com a época festiva a ajudar á festa, a noite seria mesmo de celebração.

O público português sempre se caracterizou pela sua sede incontrolável em fazer parte da festa, em ser a festa, e claro está, em nada desiludiu, com os cânticos e palmas a serem uma constante ao longo de um concerto que teve sempre os seus níveis de euforia no auge. Esta manteve-se como uma consequência da energia fulminante que toma o palco se assalto, com a simbiose entre bateria, baixo e guitarras a cavalgar a um estrondoso ritmo.

20181222 - Concerto - Bombino @ B.Leza

Indiscutivelmente, a grande estrela da noite era Bombino, mas seria criminoso não louvar a sua excelente banda de apoio, com a principal surpresa a dar pelo nome de Corey Wilhelm, um pequeno monstro rítmico cuja bateria propulsiva dava um ritmo extra alucinante às canções de Moctar, dando uma certa vontade de dançar que seria consumada por dois membros do público que subiriam a palco para se deixar levar por estas sonoridades afrodisíacas.

De “Imajghane (The Tuareg People)” a “Tehigren (The Trees)” a clara ênfase no alinhamento foi dedicada a Deran. Porém, a noite contou também com êxitos do passado, como “Azamane Tiliade” ou “Amidine”, canções que facilmente transportaram o B.leza Club por uma viagem pelo norte de África: Nigéria, Mali, Argélia ou Burquina Faso não ficaram de fora de um roteiro que nos guiou pelas misteriosas terras onde reina o tuaregue, tudo à boleia do seu príncipe: Bombino.

Com o concerto já no seu fim, dado por “Acokas” era palpável a sensação de dever cumprido: meter Lisboa a mexer através de sonoridades africanas. Porém, a euforia que gritava pelo nome de Bombino, em uníssono e de forma constante, levou à repescagem para um encore, através de “Imajghane”, que viria a dar noite como terminada, tal como o nome da sala assim dita: em beleza.

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