Sonhos de stoner, praia e surf! Entrevista com Ricardo Rio, SonicBlast Moledo.

A poucos dias do inicio de mais uma edição do SonicBlast em Moledo do Minho, estivemos à conversa com Ricardo Rio, impulsionador do festival.

Seis anos passaram desde a primeira edição. Por lá já passaram bandas internacionais como Pentagram, Somali Yacht Club, The Atomic Bitchwax ou Uncle Acid and the Deadbeats, a par de bandas nacionais como os Black Bombaim, Astrodome, Lâmina ou Kilimanjaro entre muitos outros, a lista é extensa, coerente e sólida como se tudo fizesse parte de um plano muito maior, e a sensação que temos é que tem vindo a crescer com uma cadência sólida de ano para ano. É seguro dizer que estamos já perante um dos festivais de referência da música stoner, a nível da Península Ibérica e que também já é parte do roteiro de festivais destas sonoridades a nível europeu. Este ano aguardamos com expectativa os Colour Haze e os Cosmic Dead mas também os grandes Orange Goblin e Acid King entre uma série de outras bandas provenientes de locais tão dispares como o Japão (kikagaku Moyo) ou Israel (The Great Machine).

O que leva alguém que nunca o havia feito a organizar um festival essencialmente stoner numa localidade sobretudo conhecida pela praia e pelo surf? A simplicidade das respostas são demonstrativas do que move Ricardo Rio e a sua equipa:

“Essencialmente, o gosto pela música.”

Música em DX (MDX) – O que te levou a organizar o SonicBlast?

Ricardo Rio – Essencialmente, o gosto pela música. Tivemos a ideia inicial alguns anos antes da primeira edição. Ao longo do tempo essa ideia foi amadurecendo, até que em 2011 decidimos avançar e torná-la realidade.

MDX – Já estavas ligado à organização de eventos desta natureza?

Ricardo Rio – Não. Mas ía a muitos.

MDX – O SonicBlast trouxe ao Norte do país uma série de bandas que de outra forma, sem esta rede de interações, muito provavelmente só iria a Lisboa. O que tenho visto à distancia é que o número de concertos no Norte tem vindo a crescer muito, e creio mesmo que terão superado as vossas expectativas. O vosso caminho é este, promover a descentralização dos eventos?

Ricardo Rio – Eu penso que no norte, mais especificamente no Porto, já existia uma boa dinâmica, alguns concertos a acontecer. Há muitos bons promotores a fazerem um bom trabalho há já alguns anos, anteriores ao nosso festival… Mas fico contente de sentir que também contribuímos para isso.

MDX – Em relação ao SonicBlast quais foram os maiores obstáculos que tiveram de enfrentar em termos de organização e alinhamento?

Ricardo Rio – O nosso maior obstáculo é a procura de apoios. Em termos de alinhamento, é conseguir trazer as bandas que gostaríamos de ver aqui. No início era mais difícil, já que éramos totalmente desconhecidos. Agora, já vemos com entusiasmo algumas bandas de que gostamos muito a querer vir cá, fazer parte do Festival… Já passaram pelo SonicBlast perto de 100 bandas de várias partes do mundo, o que ajuda, pois transmitem as suas impressões a outras.

MDX – Os moradores já conheceriam esta azáfama de festivais como Paredes de Coura ou Vilar de Mouros que são relativamente perto, mas são realidades diferentes em termos de público. Como reagiu a população local em relação ao festival?

Ricardo Rio – Nunca sentimos nenhum problema com a população. Como referiste, o Paredes de Coura e o Vilar de Mouros são muito próximos e as pessoas gostam e estão habituadas a festivais. Moledo é uma aldeia turística, que também está habituada a receber. Todos os dias há pessoas, mesmo as mais idosas, a perguntar-me “quando é a festa?”.

MDX – Qual foi a banda que vos deu mais “luta” para trazer?

Ricardo Rio – Aquela que ainda não conseguimos (risos). Agora a sério, os Colour Haze. Foram anos de namoro.

MDX – Qual é a banda que sonham trazer?

Ricardo Rio – São muitas. Estava a tentar escolher uma ou duas… Om era fixe! Mas Windhand era brutal!

MDX – Moledo é relativamente perto de Espanha. Recebem muitos espanhóis? Conseguem ter uma ideia do publico estrangeiro que recebem e da sua origem?

Ricardo Rio – Sempre recebemos muitos espanhóis. No início, provenientes principalmente da Galiza e Astúrias. Agora, já recebemos pessoas de toda a Espanha, de norte a sul. Assim como de França, Alemanha, Inglaterra. Este ano, vendemos bilhetes para o México, Austrália e Brasil pela primeira vez… Temos cerca de 40% de estrangeiros.

MDX – Promovem muito o festival fora de portas ou é algo que acontece naturalmente?

Ricardo Rio – As coisas têm acontecido naturalmente… Há alguns blogs espanhóis que nos acompanham desde as primeiras edições. Basicamente, a promoção em Espanha é feita por passa-palavra, por estes blogs e pelas redes sociais. Fora da Península Ibérica, é mesmo só passa-palavra e redes sociais.

MDX – O município de Caminha tem colaborado ativamente convosco?

Ricardo Rio – A Câmara Municipal de Caminha e a Junta de Freguesia de Moledo têm colaborado desde a primeira edição com alguma logística. Estamos gratos por demonstrarem suficiente abertura para entenderem o que queríamos fazer desde sempre.

MDX – Como vês o SonicBlast a longo prazo?

Ricardo Rio – Como uma referência. Com visitantes de todo o mundo.

MDX – Por último gostaria de te pedir algumas palavras sobre o alinhamento deste ano e o que podemos esperar!

Ricardo Rio – Pensamos que o cartaz está interessante e equilibrado. Contamos com os veteranos Orange Goblin e Acid King, com a estreia em Portugal dos Colour Haze, Elder, The Well, Yuri Gagarin, Vinnum Sabbathi, Toxic Shock entre muitos outros… Os Kikagaku Moyo e os Monolord vão dar dos melhores concertos do verão, sem dúvida alguma. Os Sasquatch estão de regresso com disco novo. Os Stone Dead lançaram há pouco o seu álbum de estreia e estamos ansiosos por ouvi-los aqui em Moledo. Aconselhamos a vivenciar o concerto dos The Cosmic Dead, também com disco novo… o melhor é comprar o passe de dois dias e arrancar para Moledo!

+info no Reportagens > SonicBlast Moledo | site oficial do SonicBlast Moledo

Entrevista – Isabel Maria