CORREIA, A explosão da irmandade do Rock

Numa pacata noite de sexta-feira (dia 4 de Dezembro), marcada pelo aniversário de Carlos Costa, um dos mentores da mítica sala de rock Sabotage Rock Club, assistiu-se a uma verdadeira explosão. Que só não derrubou paredes, porque o público encheu a sala e uniu-se numa comunhão de força e amor ao rock.

Tratava-se da tão aguardada noite de apresentação dos CORREIA ao vivo. A expectativa cheirava-se no ar e a ansiedade circulava como cortinas de fumo.

A servir de aperitivo, os Albatroz, banda lisboeta recente, quiseram deixar um rastilho do que vinha a seguir.

Com muita garra, presença e sabedoria os Albatroz trouxeram meia hora de prazer auditivo. Com influências claras de grunge e shoegaze serviram um som pesado, carregado de distorções e riffs escuros com uma construção musical densa e apetitosa. Apresentaram o seu EP de lançamento – The Road Less Traveled –  e, não fosse um dia em que o grunge estava de luto, tocaram uma cover de Alice In Chains – “Would?” que surtiu um efeito explosivo e aliciante no público. Interpretada com acordes mais graves e pesados, foi recebida de coração aberto por todos os presentes que acompanharam emocionalmente cada acorde e palavra.

 

Incenso pelo ar. Havia que apurar os sentidos e alinhar a alma com o coração para o que estava para a acontecer. O caminho em busca da luz estava prestes a iniciar-se. Era impossível não estar inquieto, com duas pessoas com uma bagagem musical que pesa toneladas a apresentar algo novo, único e para a vida. A acompanhar Mike e Poli estavam Bráulio Alexandre (Keep Razors Sharp) no baixo e Rúben Azevedo na bateria.

São poucas as palavras para descrever o que se sentiu naquela sala do Cais do Sodré. Os CORREIA chegaram, tocaram e deram cabo de tudo! Um verdadeiro culto ao rock com direito a uma viagem de ida sem retorno. O regresso não se podia garantir, porque foram poucas as almas que conseguiram pousar na terra depois das explosões auditivas e mentais criadas.

Act I, álbum que sairá no ano de 2016, foi tocado na íntegra, com uma única diferença: a degustação ser muito melhor ao vivo. Com acordes cuidadosamente mais trabalhados, graves, densos e corpulentos, o trilho que está a ser traçado não podia ter mais força. Os riffs rasgavam a atmosfera, enquanto o baixo tentava tranquilizar as pulsações e a bateria ajudava ao headbanging existente do início ao fim do concerto. Garra e Poder são boas palavras para o que se assistiu, aliadas à excelente qualidade de som existente na sala. Pela estrada fora, os corações saltavam mais rápido que o corpo e o caminho estava coberto de magia, amor e comunhão. No fundo, é isso que o rock é: uma comunhão que liga o amor, a partilha e a busca incessante da luz. Tal como Poli afirmou perto do final do concerto, o rock em Portugal não morreu! A verdade é que está muito longe disso e são bandas como CORREIA que nos fazem ter orgulho na música (ou parte dela) portuguesa.

Soube a pouco o que aconteceu em cima daquele palco. E é com esta sede de mais que aguardamos mais visitas destes irmãos a Lisboa.

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Valentina Ernö (Silvana Delgado)