Mark Steiner & His Problems, Confissão, Sensualidade e Saudade

A passada quinta-feira, dia 25, foi alvo de uma misteriosa magia capaz de saciar até os mais cépticos. Uma vez mais, o Sabotage Rock Club abriu as portas para uma noite de boa música.

A abertura da noite coube a uma senhora sensualmente intrigante que se apoderou de imediato do palco e da atenção dos presentes. Tracy Vandal, que outrora pertencera aos Tiguana Bibles e vive em Coimbra há 4 anos, veio juntar-se ao amigo Mark Steiner e apresentar o seu EP de lançamento a solo – “The End Of Everything”.

Acompanhada de mais 2 elementos, que Tracy fingia não conhecer, deu início ao espetáculo com uma intro de música ambiente que tanto mesclava o sombrio com o sereno. Ao juntar a boca ao microfone, o público estremeceu. Uma voz aguda e cheia de personalidade rompia a melodia e entranhava-se em todos os poros existentes naquela sala.

As notas melancólicas e obscuras assemelhavam-se ao goth rock, os riffs de guitarra eram poderosos e reforçavam a força da melodia. A sensualidade reinava naquele corpo e fazia com que andasse dum lado para o outro tocando no público e deslizando pelas colunas existentes. O sarcasmo teatral também deu caras e entre as músicas ia contando piadas em tom provocatório. Com a música “Once A Sunset” a cantora referiu que deveria ficar séria, ou estragaria a mística envolvente da música.

O concerto terminou da melhor maneira possível com uma cover de Depeche Mode, “A Question Of Time”, que arriscaria dizer ter sido o ponto alto do concerto.

[Tracy Vandal]

Já se fazia tarde e os corações aguardavam impacientes a chegada de Mark Steiner ao palco. Vindo da Noruega, não poderia trazer uma alma mais quente e envolvente como a que vimos. Fez-se acompanhar por 2 músicos, Henry Hugo que tocava guitarra com uma garra e maturidade que falavam por si só e Pavel Cingl, que tinha um poder sobrenatural sobre o seu violino.

Dono de uma voz melodiosamente arrepiante e hipnotizante, Mark, tem inúmeras influências de Nick Cave tanto musicalmente como a nível de presença, o que tornou o ambiente ainda mais especial e intimista.

Apresentou o seu mais recente trabalho – “Saudade” – que, pela melancolia existente, que não era necessariamente triste, trouxe uma onda de descontração, leveza e até serenidade ao público. O violino, de mãos dadas com as guitarras, criava um ideal harmoniosamente divino. As letras que compõem as músicas transpiram sentimento e revelam percursos de vida.

Tracy sobe ao palco, entre piadas a Mark e momentos de grande cumplicidade, para com ele cantar. Mark relembra os tempos em que vivia em Nova York e conta histórias que partilhou com Tracy. Juntos cantam 3 belíssimas músicas: “Nisj,” “Unbearable” e “Beautiful Thief” criando um momento de conexão musical transcendentemente forte. Logo de seguida a música “Fortiture” revela excelência na forma de trabalhar a distorção das guitarras, criando ritmos encorpados e subtilmente doces.

Para finalizar 1 hora de concerto, Mark toca entre o público e encerra assim o que foi um dos concertos mais bonitos que assisti este ano que, certamente, deixa Saudade a quem o presenciou.

[Mark Steiner]

Texto – Eliana Berto
Fotografia – Miguel Mestre